Mães: “o amor que mais se aproxima do amor de Deus”

No Dia das Mães, celebramos o amor incondicional e verdadeiro daquelas que dedicam suas vidas à de seus filhos


Celebra-se neste domingo, segundo de maio, o Dia das Mães, mulheres marcadas pelo amor! Elas possuem participação essencial na renovação da humanidade, por meio do mistério da criação. De acordo com o Papa Francisco, as mães tornam-se alicerce, porto-seguro para seus filhos que podem navegar por muitos caminhos e até se afastarem delas, mas encontram, em suas mães, o local protegido para ancorar.

Ao tornar-se mãe, a mulher aproxima-se do Senhor pela intensidade de seu amor, já que elas são as únicas capazes de “mostrar o rosto materno de Deus”, ainda segundo Francisco, em uma declaração em homenagem às mães, no ano de 2020. Elas se posicionam de forma a estarem sempre presentes na vida de seus filhos, orientando, guiando ou, muitas vezes, apenas acompanhando com paciência e dedicação. “O que a impele é a força do amor; a mãe sabe acompanhar, com discrição e ternura, o caminho dos filhos, e, até quando erra, procura sempre o modo de os compreender, para estar próxima, para ajudar”, afirmou o Pontífice.

Ser mãe é também aprender a ser amiga, companheira, professora, treinadora, médica e muito mais, transformando o seu viver diário e se doando em função de seu filho. É também perceber quando há algo errado, adivinhar sonhos e pensamentos de sua criança, sem que ela nada precise dizer. Afinal, “intuição de mãe” não falha, assim como suas orações, pois elas estão próximas do amor de Deus. “As mães rezam muito pelos seus filhos, especialmente pelos mais frágeis, por quantos enfrentam maiores necessidades, por aqueles que, na vida, empreenderam caminhos perigosos ou errados”. “Sem as mães, a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo” – concluiu Francisco.

Que, neste domingo e em todos os demais dias de suas vidas, todas as mães sintam-se abençoadas e queridas, e que possam ter fortalecidos seus laços eternos com seus filhos, independentemente de distâncias! Os caminhos de Deus são conhecidos pelas mães e orientados por elas aos seus. Que o amor delas ecoe por todos os cantos do mundo, ensinando a todos a importância da compaixão e da doação ao próximo!

28/04 Dia da Educação: a edificação de uma sociedade melhor

Educar é a arte de transformar seres humanos; é ensinar sobre empatia, compaixão e edificar uma sociedade mais justa e honesta por meio de ensinamentos – sejam eles acadêmicos ou não. Educadores e educandos criam laços que transcendem fases da vida, e se tornam aliados durante toda a sua trajetória: um deles responsável por transmitir lições e encorajar, e o outro, responsável por tornar essas lições modelos que o levem até os seus maiores destinos.  No processo, no entanto, essas responsabilidades convergem: educadores e educandos são construtores complementares de um único percurso.

Hoje, dia 28 de abril,  comemora-se o Dia da Educação, data dedicada a celebração dos feitos da educação, seus instrumentos, conquistas e, principalmente, uma data para reconhecer o trabalho das partes atuantes deste segmento fundamental para todos. Para a Congregação de Santa Cruz, o Dia da Educação marca a comemoração de um de seus pilares estruturais de sua Missão, propostos pelo Pe. Basílio Moreau na criação da Congregação de Santa Cruz, em 1857.

Moreau fundou a Congregação de Santa Cruz para ajudar a formar e fazer verdadeira a presença de Cristo no mundo, através de obras apostólicas de educação e pregação. O hoje beato acreditava que, ao se fomentar a educação, estimulava-se também a consciência cristã e a busca por novos conhecimentos, que levam os seres humanos a uma vida mais completa, de união e fé.

Hoje, a Congregação de Santa Cruz é mantenedora de 3 colégios cristãos em todo o Brasil: Colégio Dom Amando, em Santarém (PA); Colégio Notre Dame, em Campinas (SP); e Colégio Santa Cruz, em São Paulo (SP). As instituições de ensino mantidas pela CSC preocupam-se em elevar o nível da educação, incentivando que seus alunos cresçam acadêmica e pessoalmente, promovendo inovação e caridade nas comunidades nas quais estão inseridas. Como resultado, todas as escolas empenham-se em incentivar ações sociais para os membros pouco favorecidos de suas comunidades, como bolsas de estudo e projetos que visam a oferecer auxílio aos mais necessitados. 

Também em suas unidades sociais a Congregação de Santa Cruz promove a educação, em seu sentido mais amplo, o da transformação da pessoa para o bem-comum. Como disse o Pe. Basílio Moreau: “enquanto preparamos cidadãos úteis para a sociedade, faremos também todo o possível para preparar cidadãos para a vida eterna”.  Moreau acreditava que a educação, para além de força transformadora de mente, é capaz de transformar mentes e corações.

O Dia da Família na Escola: a parceria em prol da educação

Em comemoração ao Dia da Família na Escola, entrevistamos a coordenadora geral educacional da CSC, Prof. Dra. Márcia Regina Savioli. Confira o seu relato!


Coordenadora Geral Educacional da CSC, Prof. Dra. Márcia Regina Savioli

Comemoramos hoje, 24 de abril, o Dia da Família na Escola, data criada para conscientização de pais e educadores sobre a importância da participação familiar na vida de crianças em idade escolar. Essa parceria é um tema muito importante, tratado constantemente em escolas de todo o país que buscam fortalecer laços e demonstrar, por meio do desenvolvimento dos alunos, os benefícios da aliança em prol da educação.

Conversamos sobre o tema com a Coordenadora Geral Educacional da CSC, Márcia Regina Savioli, que defendeu a participação ativa dos pais na escola para gerar um desenvolvimento saudável para as crianças, explicou sobre os benefícios dos laços criados entre família e escola e exaltou o posicionamento das instituições de ensino mantidas pela Congregação de Santa Cruz quanto ao tema.

Confira abaixo a entrevista completa!

Qual a importância da participação ativa da família na educação dos filhos?

A importância da parceria família- escola é tema há muito tratado no âmbito da discussão sobre o desenvolvimento humano, sendo consensual a posição de conceder importância a ambas as instituições educadoras no processo. A cada momento histórico, essa parceria pode adquirir contornos específicos, como se observa, atualmente, diante do quadro sombrio trazido pela pandemia, que tem imposto, às crianças e jovens, forte distanciamento do ambiente escolar. Em nenhum momento, esse distanciamento desobrigou a escola de seus objetivos e responsabilidades, mas trouxe, às famílias, novas demandas e exigências de acompanhamento escolar, especialmente em relação aos pequenos, o que delineou novos contornos à reflexão sobre essa parceria.

De qualquer modo, devemos considerar que a família é a primeira agência social educadora, por meio da qual a criança vive as primeiras experiências que a diferenciam do “outro” e do “mundo”. Na escola, essa condição de sujeito de seu processo de desenvolvimento acentua-se, oferecendo a oportunidade de aprender e exercer papeis sociais, assim contribuindo para a constituição do caráter humano. 

Escola e família têm papeis diferentes, mas complementares. Por exemplo: cabe à escola prover à criança o domínio da leitura e da escrita da língua materna. Esse processo será amplamente favorecido, se a família, por seu lado, prover um ambiente estimulador dessas práticas. Da mesma forma, valores e princípios presentes na vida familiar serão fortalecidos se, na escola, forem igualmente valorizados. 

Assim, escola e família são co- partícipes no processo formativo do cidadão ético e responsável. 

Como os colégios da Mantenedora enxergam a participação dos pais na vida escolar de seus filhos?

Os Colégios mantidos pela Congregação de Santa Cruz contam e valorizam a parceria com as famílias para o pleno desenvolvimento do processo educacional dos alunos, de modo a efetivar o cumprimento da sua Missão, que tem a educação em sua essência, conforme ensinou Beato Basílio Moreau, nosso fundador. Se a educação de Santa Cruz se propõe a ser um processo de formação integral, que alcance “corações e mentes”, família e escola necessitam atuar juntas e alinhadas em prol de objetivos comuns. 

Quais as diferenças no desenvolvimento escolar de uma criança que tem os pais ativos em sua educação e de uma que não tem?

Escolas que carregam uma proposta filosófica- pedagógica consistente e pais ativos são elementos que convergem para a construção da identidade pessoal e social dos alunos. Os educandos são, a um só tempo, filhos e alunos e seu crescimento como pessoas e partícipes de uma sociedade depende de uma percepção de convergência e coerência entre as ideias e concepções a que estão expostos no ambiente escolar e no ambiente familiar. As crianças que não percebem essa convergência tendem a não compreender seu papel, a desconhecer limites e a atuarem diversamente em cada situação, gerando inconsistências em sua identidade e, até mesmo, podendo contribuir para o aparecimento de traços de personalidade desviantes.

Qual o principal motivo da ausência dos pais na educação das crianças?

Muitos são os motivos possíveis. Em geral, as exigências impostas pelo mundo do trabalho são as justificativas mais frequentes para ausência dos pais na educação de seus filhos.  Há também aqueles que entendem que que a educação é dever exclusivo da escola, cabendo à família a provisão de condições materiais de vida.  Algumas famílias, ainda, por não terem vivenciado experiências educativas significativas, têm dificuldades de compreender a importância da escola no processo de desenvolvimento de seus filhos.

É importante destacar que, nos Colégios mantidos pela Congregação de Santa Cruz, essas questões são raríssimas exceções, pois, de um modo muitíssimo generalizado, contamos com a parceria estreita de nossas famílias, condição imprescindível para o cumprimento da Missão educativa que abraçamos. 

Uma mensagem geral para a data:

Família e Escola, caminhando juntos e na mesma direção, seremos mais fortes! Sigamos, movidos pela esperança de melhores dias, em busca de nosso bem maior: a educação propulsora de um futuro digno e justo!

Páscoa é o momento de renascer

Em meio à pandemia do coronavírus, vamos celebrar a Páscoa solidários com os familiares, amigos e com aquelas pessoas das nossas comunidades que perderam seus entes queridos por causa da covid-19.

Como religiosos de Santa Cruz, temos que ser um sinal e um broto de esperança para com o nosso sofrido povo. Neste sentido, estamos numa segunda onda pandêmica e há um ano estamos convivendo com esse vírus, que na distância nos separa. Parece que ele é contra o Evangelho que fala para nos unir e não nos distanciar. Ele é hoje o nosso maior inimigo, não podemos nos descuidar. A pandemia da covid-19 é um assunto sério, pois muitas vidas estão sendo ceifadas no Brasil e em todo mundo. Neste âmbito, precisa-se de ações coordenadas de nossos governantes no combate a este vírus que maltrata sem piedade as pessoas, além da colaboração de todos nas medidas preventivas.

Neste contexto é que vamos celebrar a Páscoa, data que marca a ressurreição de Jesus Cristo e costuma ser bem festejada, tanto nas celebrações religiosas nas igrejas, quanto em reuniões familiares em casa. Este ano, novamente, por causa da COVID-19, o cenário será diferente, já que a orientação das entidades de saúde é manter o distanciamento e o isolamento social para evitar a disseminação da doença. Neste âmbito, devemos fortalecer a Igreja doméstica, revitalizar nossa convivência e crescer espiritualmente na alegria do Cristo ressuscitado.

Portanto, em meio a tanto sofrimento, chega a Páscoa, “festa magna”, momento oportuno da passagem de Jesus Cristo, da morte para a ressureição. Vamos nos animar sem perder a esperança de uma vacina para todos. Afinal, a vida não foi derrotada porque aquele que é a vida a tem em plenitude e a partilha conosco, por amor. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Celebremos a Páscoa conscientes de que em Jesus transbordamos de vida, saciando a nossa sede de eternidade.

Cristo venceu a morte, Ele vive!

Feliz Páscoa para todos!  Fraterno abraço!


Pe. Laudeni Ramos Barbosa, CSC

Quaresma com São José – VI

Quaresma com São José! A cada semana da Quaresma, o Pe. Rafhael Silva Maciel propõe uma pequena catequese, que este ano terá como linha guia o Ano de S. José, proclamado pelo Papa Francisco. Esta semana o tema é: São José, “patrono da boa morte”. Pe. Rafhael é Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia. Confira a sexta reflexão.


Reprodução Vatican News. Papa Francisco com imagem de São José em Lima, Peru 

Via Vatican News (https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-03/quaresma-sao-jose-catequese-6.html)

O Papa Francisco, na carta Patris corde, recorda o Catecismo da Igreja Católica, n. 1014, que apresenta S. José como “patrono da boa morte”, invocado pelo povo de Deus em favor dos moribundos, e auxílio na preparação dos fiéis para aquele encontro definitivo com o Senhor.

A tradição de recorrer a S. José para obter uma morte santa, em graça de Deus, foi transmitida ao longo da vida da Igreja não por uma fonte textual bíblica, porém a história de como teria sido a morte de S. José aparece nos primeiros séculos da Igreja, como narra Isidoro de Isolanis, dizendo que nas igrejas orientais costumava-se ler, todo 19 de março uma narração solene da morte do pai adotivo de Jesus Cristo.

No escrito se dizia que tendo chegado a hora da morte do Santo Patriarca, um anjo lhe haveria anunciado que sua morte estaria próxima. Retornando a Nazaré e agravada a saúde, recolheu-se e, “entre Jesus e Maria, que o assistiam com carinho, expirou suavemente, abrasado no Divino Amor” e logo “Jesus e Maria fecharam os olhos de S. José”.

A narrativa relembra que Jesus chorou o amigo Lázaro e faz a analogia: “E como não havia de chorar Aquele mesmo Jesus que choraria sobre a sepultura de Lázaro? ‘Vede como ele o amava!’, disseram os judeus. S. José não era tão só um amigo, mas um pai querido e santíssimo para Jesus”.

Na Ladainha de S. José, alguns dos títulos com os quais recorremos à intercessão do esposo de Maria são: “alívio dos miseráveis”“esperança dos doentes”“patrono dos moribundos”“terror dos demônios”. S. José, alívio e esperança, para que na doença possamos aprender a oferecer sacrifícios e dores pela nossa conversão e pela conversão do mundo inteiro. Para que “a esperança que não decepciona” (Rm 5,5) seja conforto e nos ajude na conformação com a Cruz de Jesus.

Santa Teresa (Vida VI,5-8) testemunha sobre S. José, ao escrever sobre seu estado de saúde, que a certo ponto começa a recorrer ao Santo e escreve: “Tomei então por meu advogado e patrono o glorioso S. José e a ele me confiei com fervor. Este meu pai e protetor me ajudou na necessidade em que me achava e em muitas outras mais graves, em que estava em jogo a minha honra e a salvação da minha alma (…). Não me lembro de ter jamais lhe rogado uma graça sem a ter imediatamente obtido.

Como patrono dos moribundos, que estão em situação de risco de morte, S. José emerge como amigo e consolador. Em meio a uma pandemia em escala mundial, quantas pessoas queridas foram afetadas no corpo por esse vírus ou por outras enfermidades. Quantas pessoas foram e estão sendo afligidas na alma e no espírito, pelas mortes e enfermidades. Entre essas pessoas está um grande homem que tive a alegria de conhecer, D. Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares (PE). Um dos irmãos de D. Henrique, Adriano, relatou que as últimas palavras do Bispo antes de ser entubado foi: “[estou] alquebrado no corpo, mas firme na fé”.

De Dom Henrique devemos aprender a pedir a S. José que nos ensine a morrer na companhia de Jesus e de Maria. Em momentos de incertezas e de imensa fragilidade humana e sanitária busquemos orientar a nossa vida para a salvação, pois por mais difícil que seja a morte é uma realidade para a qual devemos nos preparar. O santo de Assis louvava a Deus “pela ela Irmã Morte” pois “nenhum ser vivo escapa de sua perseguição”.

Como mais um gesto concreto quaresmal, na escola de São José, patrono da boa morte durante esses dias de Quaresma pratiquemos a obra de misericórdia espiritual de rezar pelos defuntos, especialmente aqueles faleceram vítimas da pandemia e por outras doenças, e encomendemos a celebração de Missas em sufrágios das almas desses nossos irmãos. Ainda outro gesto concreto pode ser o envio de alguma mensagem com uma pequena recordação ou mesmo alguma ajuda material para pessoas/famílias que estão enlutadas neste momento.

São José, providenciai!

Boa oração, abençoada meditação!

Roma, 17 de março de 2021

Pe. Rafhael Silva Maciel

Missionário da Misericórdia

Mestre em Sagrada Liturgia

Quaresma com São José – V

Quaresma com São José! A cada semana, o Pe. Rafhael Silva Maciel propõe uma pequena catequese, que este ano terá como linha guia o Ano de S. José, proclamado pelo Papa Francisco. Esta semana o tema é: Festejemos São José. Pe. Rafhael é Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia. Confira a quinta reflexão.


Reprodução: Vatican News. São José

Via Vatican News (https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-03/quaresma-sao-jose-catequese-5.html)

No próximo 19 de março a Igreja celebrará a Solenidade de S. José, Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, que nesse Ano a ele dedicado adquire uma conotação toda especial. O diretório para a liturgia e piedade popular (n. 223), afirma que “o fato [desta] Solenidade cair na Quaresma, em que toda a Igreja está voltada para a preparação batismal e a memória da Paixão do Senhor (…) as práticas tradicionais do ‘mês de S. José’ deverão estar em sintonia com o período do ano litúrgico”.

O Santo Patriarca pode ser celebrado no período quaresmal estando as devoções josefinas em acordo com a índole litúrgica desse tempo especial. Chamados a uma proximidade e intimidade maiores para com o Senhor, o Patrono da Igreja apresenta-se a nós como modelo de total adesão à vontade de Deus, e “desta forma, todo o povo cristão não só recorrerá a S. José com maior fervor e invocará confiadamente o seu patrocínio, mas também terá sempre diante dos olhos o seu modo humilde e amadurecido de servir e de ‘participar’ na economia da salvação” (João Paulo II, Redemptoris custos, 1).

A renovação litúrgica ao aprofundar o significado do período quaresmal, mantendo uma Solenidade como a de S. José neste tempo, leva em consideração que o pai nutrício de Jesus é, para os fiéis, “exemplo notável […], que ultrapassa os estados individuais de vida e se propõe a toda a comunidade cristã, sejam quais forem as condições e deveres de cada um dos fiéis” (João Paulo II, idem).

No Decreto da Penitenzieria Apostolica para as indulgências deste ano, lê-se: “a devoção ao Guardião do Redentor se desenvolveu muito no decorrer da história da Igreja, que ela não só lhe atribui um culto entre os mais altos, depois da Mãe de Deus e sua Esposa, mas também lhe conferiu vários patrocínios”. Ainda no mesmo Decreto: “[ele] é o depositário do mistério de Deus (…) o que chama todos a redescoberta dos valores do silêncio, da prudência e da lealdade no cumprimento dos próprios deveres”Ora, isso é viver o espírito quaresmal: oração, silêncio e obras de misericórdia.

Celebrar a Solenidade de S. José ajuda-nos a voltar os olhos do coração cada vez mais para a única realidade que importa: Jesus Cristo e seu Mistério Pascal, como bem escreveu João Paulo II: “o fato de se considerar novamente a participação do Esposo de Maria no mistério divino permitirá à Igreja, na sua caminhada para o futuro juntamente com toda a humanidade, reencontrar continuamente a própria identidade, no âmbito deste desígnio redentor, que tem o seu fundamento no mistério da Encarnação” (Redemptoris custos, 1).

Ao celebrarmos S. José, celebramos o dom da paternidade confiada por Deus ao “carpinteiro de Nazaré”, a quem Jesus na terra chamou de pai. Celebramos seu patrocínio e cuidado todo especial por todos os fiéis católicos espalhados no mundo inteiro. Papa Francisco em uma homilia dizia que S. José “é ‘guardião’, porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas” (19.03.2013), podemos ajuntar que ele se mostra sensível com a Igreja, da qual é Patrono Universal.

Como mais um gesto concreto quaresmal, na escola de São José, Patrono da Igreja durante esses dias de Quaresma que ainda temos pela frente façamos um tempo de oração silenciosa, rezando pelas necessidades da Igreja neste momento atual de dificuldades e de pandemia. Rezemos pelo Santo Padre e pela sua paternidade e solicitude católica, para que seja garante da unidade da Santa Igreja de Deus.

São José, providenciai!

Boa oração, abençoada meditação!

Roma, 17 de março de 2021

Quarta-feira, IV Semana da Quaresma

Pe. Rafhael Silva Maciel

Missionário da Misericórdia

Mestre em Sagrada Liturgia

Quaresma com São José – IV

Quaresma com São José! A cada semana da Quaresma, o Pe. Rafhael Silva Maciel propõe uma pequena catequese, que este ano terá como linha guia o Ano de S. José, proclamado pelo Papa Francisco. Esta semana o tema é: São José e a criatividade da caridade. Pe. Rafhael é Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia. Confira a terceira reflexão.


Reprodução: Vatican News

Via Vatican News (https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-03/quaresma-sao-jose-catequese-4.html)

O Venerável Papa Pio XII instituiu S. José como Patrono dos trabalhadores. Na ocasião do encontro com membros da Associação Cristã dos Trabalhadores Italianos dizia: “Hoje (…) devemos reconhecer que a bênção do Senhor, por Nós invocada sobre a vossa obra, foi forte e que o Patrono celeste, que então vos demos, S. José, homem fiel e justo, o trabalhador por excelência, vos protegeu prodigiosamente” (29/6/1948).

Assim, S. José era reconhecido como Patrono dos trabalhadores, pois com o suor do seu trabalho sustentou o lar de Nazaré, proveu para sua casa o necessário, passando ele mesmo por todas a condições e agruras que um digno trabalhador passa no enfrentamento das adversidades da condição humana.

O operário de Nazaré soube com destreza repassar a Jesus o seu ofício. As Escrituras reconhecem Jesus como “o filho do carpinteiro” (Mt 13,55). O Papa Leão XIII, na Encíclica Quamquam Pluries (15/8/1889), escreveu: “José foi ao mesmo tempo legítimo e natural custódio, chefe e defensor da divina família. Com trabalhos que exerceu enquanto teve vida (…). Ele, continuamente, supria para eles as necessidades da vida com seu trabalho”.

Papa Francisco, na Carta Patris corde, escreve que S. José exerceu seu trabalho com honestidade “para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho” (n.6).

Vivemos tempos difíceis, em que uma pandemia inesperada atinge o mundo, não apenas com uma crise sanitária que vitimou muitas pessoas queridas, mas emergiu outro grave problema: uma crise econômica, que afeta tantos lares com o fantasma do desemprego e da falta de condições para o sustento digno das famílias.

Junto ao luto por tantas mortes, “neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge por vezes níveis impressionantes, mesmo em países onde se experimentou durante várias décadas um certo bem-estar, é necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo” (Francisco, Patris corde, 6).

O operário S. José, em tempos de pandemia na saúde e pandemia do desemprego é para nós sinal de que não devemos baixar a cabeça e buscarmos dignificar a vida humana com um trabalho justo e honrado. O Papa emérito Bento XVI disse em um de seus discursos que “o cristianismo está sempre chamado a procurar a justiça. O caminho realizado pelos leigos cristãos (…) guiou-os à autoconsciência de que as obras de caridade não devem substituir o compromisso pela justiça social” (4/3/2006). Por isso, o trabalho para sustentar os lares é compromisso com a justiça social!

Na Carta para o Ano de São José, escreveu Francisco: “a perda de trabalho que afeta tantos irmãos e irmãs e tem aumentado nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. Peçamos a São José Operário que encontremos vias onde possamo-nos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!”. As políticas em favor da vida, para além de fechar cidades e comércios para contenção da pandemia, deveriam prover para os cidadãos, também, por exemplo, um satisfatório sistema de transporte público; a redução da carga tributária, que pesam sobre o bolso dos mais pobres; dar incentivos fiscais para que os empreendedores possam pagar seus funcionários, enfim…

Confiamos aos cuidados do amado Patrono dos trabalhadores as necessidades de tantas pessoas que sofrem nesse momento, ao mesmo tempo que confiamos a ele os governantes para que promovam políticas públicas em favor dos trabalhadores.

Como mais um gesto concreto quaresmal, na escola de São José, operário durante essa Quaresma podemos fazer algum TRABALHO VOLUNTÁRIO, doando um pouco do nosso tempo ajudando alguma instituição de caridade; ou despojemo-nos de alguns bens que temos guardados – no vestiário, alimentos, entre outros – e doemos para irmãos que passam necessidade nessa hora tão difícil! Nossa penitência nos leve à santa caridade e nossas ações sejam reflexo da abstinência e jejum, realizados conforme a vontade do Senhor.

São José, operário, providenciai!

Boa oração, abençoada meditação!

Roma, 10 de março de 2021

Quarta-feira, III Semana da Quaresma

Pe. Rafhael Silva Maciel

Missionário da Misericórdia Mestre em Sagrada Liturgia

Quaresma com São José – III

Quaresma com São José! A cada semana da Quaresma, o Pe. Rafhael Silva Maciel propõe uma pequena catequese, que este ano terá como linha guia o Ano de S. José, proclamado pelo Papa Francisco. Esta semana o tema é: São José e a criatividade da caridade. Pe. Rafhael é Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia. Confira a terceira reflexão.


Papa Francisco diante de uma imagem de São José.
Papa Francisco diante de uma imagem de São José 

Via: Vatican News (https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-03/quaresma-sao-jose-catequese-3.html)

Exortação Apostólica Redemptoris custos, sobre a figura e a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja. Dentre os vários aspectos abordados por São João Paulo II, no número 16, apresenta-se a temática do sustento e da educação de Jesus, em Nazaré, sob o olhar de Maria e de José, que “tinha a alta função de ‘criá-lo’; ou seja, de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, em conformidade com os deveres estabelecidos para o pai [de família]”. São José era o PAI PROVIDENTE.

No decorrer da história da Igreja, porque foi lhe confiado ser o custódio, o guarda, o provedor do sustento de Jesus e de Maria, São José sempre foi invocado como um pai providente por parte dos fiéis. O Beato Papa Pio IX afirmava que a São José Deus “confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos e maiores”. Os santos, em diferentes épocas dão o testemunho dessa guarda providencial de Deus através do auxílio de São José. Sobre a missão de ser o sustento da vida da família de Nazaré, afirma São Bernardo que “São José foi ‘o servo fiel e prudente’ (Mt 24,45), pois Deus destinou-o a ser o apoio de sua Mãe, o sustento da sua carne e o auxiliar do seu desígnio de salvação”.

Santa Teresa d’Ávila testemunha a esse respeito: “Tomei por advogado e senhor o glorioso São José (…). Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito (…)” (Livro da Vida 6,6).  Outro santo que fala explicitamente dos favores do Guardião da Sagrada Família é São José Maria Escrivá, que dizia: “O que faz José, com Maria e com Jesus, para obedecer a ordem do Pai, a inspiração do Espírito Santo? Dar-se todo por inteiro, coloca-se ao seu serviço a sua vida de trabalhador”.

São João Paulo II, ainda sobre São José afirmava que “a aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela proteção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade” (RC 27).

Nesta Quaresma, que vivemos ainda em tempo de pandemia, experienciamos dramas imensos seja pela perda de pessoas que amamos seja por todas as dificuldades econômicas que vieram à tona com a atual situação. São José, nesse momento desafiante da história, apresenta-se a nós como sinal da providência divina. Papa Francisco na sua Carta Patris corde n. 5, escreve que São José é “o pai com coragem criativa”, apontando o Santo Patriarca como uma intervenção divina, pois através dele “o Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem (…)”.

Nós somos chamados a olhar para São José como um pai providente, que nos ajuda pela intercessão e exemplo a vivermos a criatividade da caridade e aprendermos a “transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”. Neste tempo de conversão quaresmal, “se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar” (Patris corde, n.5).

Desse modo, como São José foi guarda e custódio, providente e sinal da caridade divina para com Jesus e Maria, essa Quaresma nos convida a sermos sinal da Providência divina para os mais necessitados. Em tempos de pandemia, de crise econômica provocada por políticas restritivas, o Senhor nos pede amor fraterno, caridade operativa e criativa para com os sofredores desse mundo, aqueles que sofrem materialmente as consequências nefastas da atual crise sanitária e, ao mesmo tempo, sofrem na alma e no espírito – as periferias existenciais!

Como mais um gesto concreto quaresmal, aprendendo da caridade criativa, na escola de São José, durante essa Quaresma façamos algum gesto de caridade para com algum necessitado, com alguma doação material – alimentos ou outro gênero de ajuda material – para alguma instituição de caridade ou mesmo para alguma(s) família(a) que passam necessidade nessa hora tão difícil! Desse modo, nossa penitência nos leve à santa caridade e nossas ações sejam reflexo da oração, realizada conforme a vontade do Senhor.

São José, providenciai!
Boa oração, abençoada meditação!

Roma, 03 de março de 2021
Quarta-feira, II Semana da Quaresma
Pe. Rafhael Silva Maciel
Missionário da Misericórdia Mestre em Sagrada Liturgia

Dia Internacional da mulher: representantes da paz e da prosperidade

As mulheres são símbolos de alento, carinho, força e esperança, e semeiam bons frutos por onde transitam. Por isso hoje, dia 08 de março, comemoramos o Dia Internacional das Mulheres, dando luz à sua coragem de lutar pelos seus direitos e pelos seus semelhantes, buscando sempre justiça e igualdade para todas. Hoje comemoram-se todas e cada uma das vozes femininas que ecoam por gerações, e que utilizam suas vidas para ensinar e aprender.

Desde sua criação, a Congregação de Santa Cruz inspira-se na missão de mulheres que trabalham fervorosamente para levar a palavra de Deus a todos os lugares por onde passam. Em 1838, um ano após a fundação da Associação de Santa Cruz pelo Pe. Basílio Moreau, as voluntárias de obras apostólicas em Le Mans, na França, associaram-se aos religiosos de Santa Cruz, dando origem às Irmãs Marianitas de Santa Cruz, que ajudariam a disseminar mensagens de educação e capacitação acadêmica com valores cristãos.

As Irmãs atuaram em 3 frentes: na França, no Canadá e nos Estados Unidos. Através de seu trabalho como professoras, orientadoras e religiosas, elas pregavam os ensinamentos de Moreau em suas respectivas localidades, levando a palavra de Deus. Em 1867, as Irmãs de Santa Cruz receberam aprovação em nível mundial e, já em 1869, as Irmãs Marianitas da Província Americana recebeu o estatuto formal de Congregação Independente, passando a chamar-se Congregação das Irmãs de Santa Cruz. Alguns anos mais tarde, em 1883, as Irmãs Marianitas da Província Canadense também adquiriram o título, transformando-se em Congregação das Irmãs de Santa Cruz.

Em sua vida, essas mulheres são chamadas a participar da missão de Jesus para proclamar o amor de Deus em todas as criações com compaixão e cuidado. Guiadas por sua fé em Cristo e seu amor e empatia, as Irmãs permanecem em solidariedade aos pobres e oprimidos em busca de uma sociedade mais unida.

Atualmente, através de seus valores – Compaixão, Fé, Operação e Comunidade –, as Irmãs de Santa Cruz atuam em oito países e quatro continentes, servindo ao povo de diversas culturas em clínicas, hospitais, escolas, universidades, igrejas e paróquias. Em sua declaração de missão, as Irmãs afirmam: “Nossa vida juntas nos enriquece e fortalece para nutrir comunidades onde quer que estejamos”.

As Irmãs de Santa Cruz são mulheres professoras, enfermeiras, administradoras, conselheiras, assistentes sociais, escritoras, advogadas e, acima de tudo, promotoras de uma reforma sistêmica e de justiça social. Seu papel na disseminação do trabalho da Congregação de Santa Cruz é fundamental, pois leva seus valores e ensinamentos com o cuidado, segurança e compaixão em diversas localidades, além de se fazerem presentes e representativas em locais onde outras mulheres mais precisam.

Para a Igreja, a participação ativa das mulheres é muito importante, principalmente porque possibilita o trabalho e a abordagem cristã em diversas frentes, principalmente na luta pelo direito e na erradicação da violência. Para o Papa, vivermos em um mundo melhor está nas mãos delas. “Se quisermos um futuro melhor, se sonharmos com um futuro de paz, precisamos dar espaço às mulheres”, afirma o pontífice.

Hoje e todos os dias, desejamos parabéns à todas as mulheres da Congregação de Santa Cruz, e desejamos à todas um mundo melhor e mais justo. Que a força de vocês seja exemplo, e que sua fé se faça presente em todos os lugares.  

Quaresma com São José – II

Quaresma com São José! A cada semana da Quaresma, o Pe. Rafhael Silva Maciel propõe uma pequena catequese, que este ano terá como linha guia o Ano de S. José, proclamado pelo Papa Francisco. Pe. Rafhael é Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia. Confira a segunda reflexão.


Sagrada Família

Como tempo especial de conversão e discernimento da nossa vida cristã, a Quaresma nos lembra a cada dia, seja na liturgia e seja nos exercícios espirituais que nos são propostos, a contemplação do mistério da Cruz de Jesus Cristo.

O Diretório para liturgia e a piedade popular, afirma que os fiéis, “contemplando o Salvador crucificado, entendem mais facilmente o significado da imensa dor injusta que Jesus, o Santo e Inocente, padeceu pela salvação do homem, e compreendem, desse modo, o valor do seu amor solidário e a eficácia do seu sacrifício redentor” (n. 127).

A Cruz de Jesus Cristo é o ato mais alto de sua obediência ao Pai do Céu, pois “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo” (Jo13,1).

Foi pelo seu amor incondicional à vontade do Pai que Jesus “abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz” (Fl 2,8).

Toda a vida de Jesus foi obediência, todas as suas ações e palavras foram em consonância e união íntima entre a sua vontade e a vontade do Seu Pai.

O Senhor, ainda na sua glória junto do Pai, como Verbo divino já obedecera, encarnando-se no seio da Virgem Maria. De Maria mesmo Ele aprendeu a obedecer, tendo escutado a resposta da escolhida: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra”, o Verbo entra no mundo, por obra do Espírito Santo.

Não é somente da Virgem Mãe que Jesus recebe o testemunho da obediência e da acolhida radical da vontade divina na vida. O homem ao qual está prometida Maria em casamento, José, também é testemunho de obediência e de acolhida irrestrita da vontade de Deus. Ao final do sonho em que o Anjo Gabriel lhe revela o projeto divino, diz o evangelista Marcos que “José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher” (Mt 1,24).

Ainda outras duas vezes José agirá em plena conformidade com a ordem de Deus, quando avisado em sonho pelo Anjo do perigo que rondava à Sagrada Família “levantou-se, tomou o menino e sua mãe, durante a noite, e partiu para o Egito” (Mt 2,14), e quando recebe a revelação de que pode retornar para casa e sair do Egito, José “levantou-se, tomou o menino e sua mãe e entrou na terra de Israel” (Mt 2,21).

Papa Francisco na sua carta Patris corde escreve que São José, em nenhum momento “hesitou em obedecer”, que “com confiança e paciência, esperou” (n. 3), por isso São José é o “pai na obediência”, é o homem, esposo e pai de família que sabe que obedecer a Deus é princípio vital para a sobrevivência da vida, em sentido integral.

O que é a vontade de Deus? A serva de Deus Chiara Lubich uma vez respondeu, quando questionada, que a vontade “é aquilo que mais nos custa”. Levada em consideração essa resposta, São José é ícone dessa suave e doce submissão à vontade divina porque sabe, desde o seu interior, que quando Deus chama, quando Deus pede algo da pessoa, Ele não quebra a sua vida, mas a deixa ainda mais aberta e livre! Fazer a vontade de Deus não é uma condenação, outrossim é uma experiência de enamoramento com a Graça de Deus.

No nosso caminho quaresmal com São José encontramos o “justo” – aquele que, temente a Deus, realiza na sua vida o que Deus lhe chama a fazer, a vocação para a qual foi chamado. Pessoalmente, São José deu o testemunho da sua obediência ao Filho de Deus, que estava sob seus cuidados e, ao mesmo tempo, “na sua função de chefe de família, ensinou Jesus a ser submisso aos pais (Lc 2,51)” e, na escola de José, Ele [Jesus] aprendeu a fazer a vontade do Pai” (Francisco, Patris corde, n.3)

Vivemos tempos difíceis seja no entendimento da palavra obediência, numa sociedade que prega uma liberdade sem limites e uma consciência moral frouxa, seja o reconhecimento de que a vontade de Deus, que tem como fundamento a salvação do ser humano e o seu bem.

São José emerge como um exemplo de obediência e de liberdade sem iguais, porque deixou-se iluminar pela luz divina e, “quando os homens estão na luz, não são eles que iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela (Sto. Irineu).

Como mais um gesto concreto quaresmal, aprendendo a obediência, na escola de São José, durante essa Quaresma demos mais espaço para a escuta de Palavra de Deus e vivamos a penitência que já foi escolhida (se ainda foi seria bom escolher) buscando realizar através dela a vontade de Deus – “aquilo que mais nos custa”!

Desse modo, nossa penitência, por mais simples que seja, leve-nos à santa obediência e que nossas ações, acompanhadas pela oração, sejam feitas conforme a vontade do Senhor. São José, providenciai! Boa oração, abençoada meditação!

Roma, 24 de fevereiro de 2021 Quarta-feira, I Semana da Quaresma

Pe. Rafhael Silva Maciel

Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia

Via: Vatican News (https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-02/quaresma-sao-jose-2.html)