O Domingo: 3º Domingo da Quaresma

Leitura do Livro do Gênesis 15,5-12.17-18

Naqueles dias:
5o Senhor conduziu Abraão para fora e disse-lhe:
‘Olha para o céu e conta as estrelas,
se fores capaz!’
E acrescentou:
‘Assim será a tua descendência’.
6Abrão teve fé no Senhor,
que considerou isso como justiça.
7E lhe disse:
‘Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus,
para te dar em possessão esta terra’.
8Abrão lhe perguntou:
‘Senhor Deus, como poderei saber
que vou possuí-la?’
9E o Senhor lhe disse:
‘Traze-me uma novilha de três anos,
uma cabra de três anos,
um carneiro de três anos,
além de uma rola e de uma pombinha’.
10Abrão trouxe tudo
e dividiu os animais pelo meio,
mas não as aves,
colocando as respectivas partes uma frente à outra.
11Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres,
mas Abrão as enxotou.
12Quando o sol já se ia pondo,
caiu um sono profundo sobre Abrão
e ele foi tomado de grande e misterioso terror.
17Quando o sol se pôs e escureceu,
apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo,
que passaram por entre os animais divididos.
18Naquele dia o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo:
‘Aos teus descendentes darei esta terra,
desde o rio do Egito
até o grande rio, o Eufrates’.

Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 26,1.7-8.9abc.13.14 (R. 1a)

R. O Senhor é minha luz e salvação.

1O Senhor é minha luz e salvação;*
de quem eu terei medo?
O Senhor é a proteção da minha vida;*
perante quem eu tremerei? R.

7Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,*
atendei por compaixão!
8Meu coração fala convosco confiante,*
é vossa face que eu procuro. R.

9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo,*
sois vós o meu auxílio!
9bNão me esqueçais nem me deixeis abandonado,*
9cmeu Deus e Salvador! R.

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver*
na terra dos viventes.
14Espera no Senhor e tem coragem,*
espera no Senhor! R.

2ª Leitura – Fl 3,17-4,1

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 3,17 -4,1

17Sede meus imitadores, irmãos
e observai os que vivem
de acordo com o exemplo que nós damos.
18Já vos disse muitas vezes,
e agora o repito, chorando:
há muitos por aí
que se comportam como inimigos da cruz de Cristo.
19O fim deles é a perdição,
o deus deles é o estômago,
a glória deles está no que é vergonhoso
e só pensam nas coisas terrenas.
20Nós, porém, somos cidadãos do céu.
De lá aguardamos o nosso Salvador,
o Senhor, Jesus Cristo.
21Ele transformará o nosso corpo humilhado
e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso,
com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas.
4,1Assim, meus irmãos, a quem quero bem
e dos quais sinto saudade,
minha alegria, minha coroa, meus amigos,
continuai firmes no Senhor.
Palavra do Senhor.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 9,28b-36

Naquele tempo:
28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago,
e subiu à montanha para rezar.
29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência
e sua roupa ficou muito branca e brilhante.
30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus:
eram Moisés e Elias.
31Eles apareceram revestidos de glória
e conversavam sobre a morte,
que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
32Pedro e os companheiros estavam com muito sono.
Ao despertarem, viram a glória de Jesus
e os dois homens que estavam com ele.
33E quando estes homens se iam afastando,
Pedro disse a Jesus: ‘Mestre, é bom estarmos aqui.
Vamos fazer três tendas:
uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.’
Pedro não sabia o que estava dizendo.
34Ele estava ainda falando,
quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra.
Os discípulos ficaram com medo
ao entrarem dentro da nuvem.
35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia:
‘Este é o meu Filho, o Escolhido.
Escutai o que ele diz!’
36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho.
Os discípulos ficaram calados
e naqueles dias não contaram a ninguém
nada do que tinham visto.
Palavra da Salvação.

Estimados irmãos e irmãs em Cristo!

No Evangelho de Lucas 9,28-36 diferente de Mateus e Marcos acontece uma cristofânia. Enquanto Jesus está rezando, isto é, ele está com as mãos livres, acontece à manifestação de Cristo Jesus no batismo e no próprio mistério pascal. Isso acontece no batismo, depois na transfiguração e no calvário. O texto de Lucas 9,28-36 tenta unir essas três experiências: batismo, transfiguração e calvário. O calvário não é simplesmente o lugar da morte é, sobretudo, o lugar da vida.

Podemos reduzir o Evangelho de Lucas 9,28-36 em dez pontos: 1) Jesus toma consigo João, Pedro e Tiago; 2) Ele sobre ao monte para rezar; 3) O seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou branca e brilhante; 4) Moisés e Elias conversavam com eles sobre seu destino em Jerusalém; 5) Pedro, João e Tiago estavam caindo de sono; 6) Contudo, eles viram a glória de Jesus conversando com Moisés e Elias; 7) Pedro diz: “É bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas. Uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”; 8) Enquanto Pedro falava veio da nuvem e uma voz do céu; 9) A voz diz: “Este é o meu Filho, o escolhido. Escutai-o!”; 10) Finalmente, Jesus estava novamente rezando sozinho e os discípulos fazem silêncio.

O que podemos demarcar de importante no Evangelho de hoje? Jesus aparece ao mesmo tempo como Jesus crucificado, o Jesus da Paixão, mas é ao mesmo tempo é o Jesus da glória. A sua glória e seu o seu esplendor são antecipados. Pedro, João e Tiago então fascinados com a glória de Cristo. Contudo, eles também estão equivocados porque essa glória de Jesus passa também pela vitória na cruz e na ressurreição. O assunto da conversa com Moisés e Elias é exatamente sobre o sofrimento de morte em Jerusalém.

Pedro mais uma vez quer afastar Jesus de sua missão. Ele quer ser escutado a ficar numa boa na montanha, só momento de glória. Pelo menos neste momento porque depois Pedro se refaz no amor de Deus e assume a missão por amor a Jesus. Sobretudo quando Cristo lhe diz: “Tu me amas, apascenta as minhas ovelhas!”(Jo 21,16).  Jesus e os discípulos escutam a voz do Pai. Essa é a mesma voz que já havia falado no batismo: “Este é o meu Filho amado!” (Lc 3,22) e agora fala na transfiguração: “Este é o meu Filho, o escolhido. Escutai-o!(Lc 9, 35) E um dia no momento de modo pleno e definitivo no mistério da cruz e da ressurreição:Este realmente é o Filho de Deus!” (cf. Lc 23,1-49). A voz do Pai é o elemento central na Liturgia de hoje. Então nesta Quaresma temos que escutar mais a Deus em nossa oração. Fique por um bom tempo em silêncio, sobretudo, diante da capela do Santíssimo.

O Domingo: 2º Domingo da Quaresma

Leitura do Livro do Gênesis 15,5-12.17-18

Naqueles dias:
5o Senhor conduziu Abraão para fora e disse-lhe:
‘Olha para o céu e conta as estrelas,
se fores capaz!’
E acrescentou:
‘Assim será a tua descendência’.
6Abrão teve fé no Senhor,
que considerou isso como justiça.
7E lhe disse:
‘Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus,
para te dar em possessão esta terra’.
8Abrão lhe perguntou:
‘Senhor Deus, como poderei saber
que vou possuí-la?’
9E o Senhor lhe disse:
‘Traze-me uma novilha de três anos,
uma cabra de três anos,
um carneiro de três anos,
além de uma rola e de uma pombinha’.
10Abrão trouxe tudo
e dividiu os animais pelo meio,
mas não as aves,
colocando as respectivas partes uma frente à outra.
11Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres,
mas Abrão as enxotou.
12Quando o sol já se ia pondo,
caiu um sono profundo sobre Abrão
e ele foi tomado de grande e misterioso terror.
17Quando o sol se pôs e escureceu,
apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo,
que passaram por entre os animais divididos.
18Naquele dia o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo:
‘Aos teus descendentes darei esta terra,
desde o rio do Egito
até o grande rio, o Eufrates’.

Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 26,1.7-8.9abc.13.14 (R. 1a)

R. O Senhor é minha luz e salvação.

1O Senhor é minha luz e salvação;*
de quem eu terei medo?
O Senhor é a proteção da minha vida;*
perante quem eu tremerei? R.

7Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,*
atendei por compaixão!
8Meu coração fala convosco confiante,*
é vossa face que eu procuro. R.

9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo,*
sois vós o meu auxílio!
9bNão me esqueçais nem me deixeis abandonado,*
9cmeu Deus e Salvador! R.

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver*
na terra dos viventes.
14Espera no Senhor e tem coragem,*
espera no Senhor! R.

2ª Leitura – Fl 3,17-4,1

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 3,17 -4,1

17Sede meus imitadores, irmãos
e observai os que vivem
de acordo com o exemplo que nós damos.
18Já vos disse muitas vezes,
e agora o repito, chorando:
há muitos por aí
que se comportam como inimigos da cruz de Cristo.
19O fim deles é a perdição,
o deus deles é o estômago,
a glória deles está no que é vergonhoso
e só pensam nas coisas terrenas.
20Nós, porém, somos cidadãos do céu.
De lá aguardamos o nosso Salvador,
o Senhor, Jesus Cristo.
21Ele transformará o nosso corpo humilhado
e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso,
com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas.
4,1Assim, meus irmãos, a quem quero bem
e dos quais sinto saudade,
minha alegria, minha coroa, meus amigos,
continuai firmes no Senhor.
Palavra do Senhor.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 9,28b-36

Naquele tempo:
28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago,
e subiu à montanha para rezar.
29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência
e sua roupa ficou muito branca e brilhante.
30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus:
eram Moisés e Elias.
31Eles apareceram revestidos de glória
e conversavam sobre a morte,
que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
32Pedro e os companheiros estavam com muito sono.
Ao despertarem, viram a glória de Jesus
e os dois homens que estavam com ele.
33E quando estes homens se iam afastando,
Pedro disse a Jesus: ‘Mestre, é bom estarmos aqui.
Vamos fazer três tendas:
uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.’
Pedro não sabia o que estava dizendo.
34Ele estava ainda falando,
quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra.
Os discípulos ficaram com medo
ao entrarem dentro da nuvem.
35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia:
‘Este é o meu Filho, o Escolhido.
Escutai o que ele diz!’
36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho.
Os discípulos ficaram calados
e naqueles dias não contaram a ninguém
nada do que tinham visto.
Palavra da Salvação.

Estimados irmãos e irmãs em Cristo!

No Evangelho de Lucas 9,28-36 diferente de Mateus e Marcos acontece uma cristofânia. Enquanto Jesus está rezando, isto é, ele está com as mãos livres, acontece à manifestação de Cristo Jesus no batismo e no próprio mistério pascal. Isso acontece no batismo, depois na transfiguração e no calvário. O texto de Lucas 9,28-36 tenta unir essas três experiências: batismo, transfiguração e calvário. O calvário não é simplesmente o lugar da morte é, sobretudo, o lugar da vida.

Podemos reduzir o Evangelho de Lucas 9,28-36 em dez pontos: 1) Jesus toma consigo João, Pedro e Tiago; 2) Ele sobre ao monte para rezar; 3) O seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou branca e brilhante; 4) Moisés e Elias conversavam com eles sobre seu destino em Jerusalém; 5) Pedro, João e Tiago estavam caindo de sono; 6) Contudo, eles viram a glória de Jesus conversando com Moisés e Elias; 7) Pedro diz: “É bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas. Uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”; 8) Enquanto Pedro falava veio da nuvem e uma voz do céu; 9) A voz diz: “Este é o meu Filho, o escolhido. Escutai-o!”; 10) Finalmente, Jesus estava novamente rezando sozinho e os discípulos fazem silêncio.

O que podemos demarcar de importante no Evangelho de hoje? Jesus aparece ao mesmo tempo como Jesus crucificado, o Jesus da Paixão, mas é ao mesmo tempo é o Jesus da glória. A sua glória e seu o seu esplendor são antecipados. Pedro, João e Tiago então fascinados com a glória de Cristo. Contudo, eles também estão equivocados porque essa glória de Jesus passa também pela vitória na cruz e na ressurreição. O assunto da conversa com Moisés e Elias é exatamente sobre o sofrimento de morte em Jerusalém.

Pedro mais uma vez quer afastar Jesus de sua missão. Ele quer ser escutado a ficar numa boa na montanha, só momento de glória. Pelo menos neste momento porque depois Pedro se refaz no amor de Deus e assume a missão por amor a Jesus. Sobretudo quando Cristo lhe diz: “Tu me amas, apascenta as minhas ovelhas!”(Jo 21,16).  Jesus e os discípulos escutam a voz do Pai. Essa é a mesma voz que já havia falado no batismo: “Este é o meu Filho amado!” (Lc 3,22) e agora fala na transfiguração: “Este é o meu Filho, o escolhido. Escutai-o!(Lc 9, 35) E um dia no momento de modo pleno e definitivo no mistério da cruz e da ressurreição:Este realmente é o Filho de Deus!” (cf. Lc 23,1-49). A voz do Pai é o elemento central na Liturgia de hoje. Então nesta Quaresma temos que escutar mais a Deus em nossa oração. Fique por um bom tempo em silêncio, sobretudo, diante da capela do Santíssimo.

O Domingo: 1º Domingo da Quaresma

Leitura do Livro do Deuteronômio 26,4-10

Assim Moisés falou ao povo:
4O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta
e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus.
5Dirás, então, na presença do Senhor teu Deus:
‘Meu pai era um arameu errante,
que desceu ao Egito com um punhado de gente
e ali viveu como estrangeiro.
Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso.
6Os egípcios nos maltrataram e oprimiram,
impondo-nos uma dura escravidão.
7Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais,
e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão,
a nossa miséria e a nossa angústia.
8E o Senhor nos tirou do Egito
com mão poderosa e braço estendido,
no meio de grande pavor, com sinais e prodígios.
9E conduziu-nos a este lugar
e nos deu esta terra, onde corre leite e mel.
10Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra
que tu me deste, Senhor’.
Depois de colocados os frutos
diante do Senhor teu Deus,
tu te inclinarás em adoração diante dele.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 90,1-2.10-11.12-13.14-15 (R. cf.15b)

R. Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!

1Quem habita ao abrigo do Altíssimo*
e vive à sombra do Senhor onipotente,
2diz ao Senhor: ‘Sois meu refúgio e proteçóo,*
sois o meu Deus, no qual confio inteiramente’. R.

10Nenhum mal há de chegar perto de ti,*
nem a desgraça baterá à tua porta;
11pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos*
para em todos os caminhos te guardarem. R.

12Haverão de te levar em suas mãos,*
para o teu pé não se ferir nalguma pedra.
13Passarás por sobre cobras e serpentes,*
pisarás sobre leões e outras feras. R.

14‘Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo*
e protegê-lo, pois meu nome ele conhece.
15Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo,*
e a seu lado eu estarei em suas dores. R.

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 10,8-13

Irmãos:
8O que diz a Escritura?
– ‘A palavra está perto de ti,
em tua boca e em teu coração’.
Essa palavra é a palavra da fé, que nós pregamos.
9Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor
e, no teu coração,
creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.
10É crendo no coração que se alcança a justiça
e é confessando a fé com a boca
que se consegue a salvação.
11Pois a Escritura diz:
‘Todo aquele que nele crer não ficará confundido’.
12Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego;
todos têm o mesmo Senhor,
que é generoso para com todos os que o invocam.
13De fato,
todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.
Palavra do Senhor.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 4,1-13

Naquele tempo:
1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão,
e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito.
2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias.
Não comeu nada naqueles dias
e depois disso, sentiu fome.
3O diabo disse, então, a Jesus:
‘Se és Filho de Deus,
manda que esta pedra se mude em pão.’
4Jesus respondeu: ‘A Escritura diz:
‘Não só de pão vive o homem’.’
5O diabo levou Jesus para o alto,
mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo
6e lhe disse:
‘Eu te darei todo este poder e toda a sua glória,
porque tudo isso foi entregue a mim
e posso dá-lo a quem eu quiser.
7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração,
tudo isso será teu.’
8Jesus respondeu: ‘A Escritura diz:
‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’.’
9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém,
colocou-o sobre a parte mais alta do Templo,
e lhe disse: ‘Se és Filho de Deus,
atira-te daqui abaixo!
10Porque a Escritura diz:
Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito,
que te guardem com cuidado!’
11E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra’.’
12Jesus, porém, respondeu: ‘A Escritura diz:
‘Não tentarás o Senhor teu Deus’.’
13Terminada toda a tentação,
o diabo afastou-se de Jesus,
para retornar no tempo oportuno.
Palavra da Salvação.

Todos os anos o povo Hebreu preparava uma cesta cheia de produtos da terra reconquistada, onde corre leite e mel. Era um ato de agradecimento a Deus e a Moisés pela libertação da longa escravidão sofrida no Egito. Alguém então pergunta: “o que isso tem a ver com a nossa Quaresma?”. É o seguinte: Abraão foi convidado por Deus para refazer uma nova nação, baseada no direito e na justiça, e nós, na Quaresma, somos convidados também a refazer nossa vida, no direito e na justiça. Na Quaresma devemos nos libertar de vícios e maus hábitos a fim de convivermos melhor com todo mundo. Com espírito comunitário economizar, água, usar máscara e ter paciência para evitar aglomeração por causa da Ô-Micron.

Por sermos dotados de livre arbítrio, seremos sempre tentados a agir contra o bem comum ou ainda contra o nosso próprio bem. Não somos programados. Temos que fazer boas escolhas todos os dias e, para isso, é preciso saber lidar com as tentações. Até Jesus foi tentado! Porém, nós caímos na tentação, enquanto Jesus não. Todo tipo de tentação é sempre uma ocasião de provar onde está nosso amor maior.

Antes de iniciar sua missão, Jesus se retirou no deserto durante 40 dias rezando e jejuando a fim de conhecer melhor a vontade do Pai no exercício de sua missão libertadora. Ele teve fome e foi tentado a satisfazer a sua fome e a do povo também transformando pedras em pães. Em resumo, Jesus foi tentando a satisfazer as necessidades físicas suas e as das pessoas carentes de bens materiais. Em outras palavras, solucionar o problema da pobreza pelo assistencialismo.

A tentação seguinte foi a de dominar todos os povos com seu poder divino. O que, de fato, a maioria dos judeus esperava. Ter um rei poderoso governando teocraticamente, ou melhor dizendo, usando de paternalismo humilhante, infantilizando o povo ao invés de achar-lhe emprego que garantisse sua sustentação. Talvez seja a tentação atual dos chefes das nações querendo demonstrar ajuda através de doações.

Jesus foi tentando também pela fama e prestígio, fazendo milagres e prodígios, para ser admirado por todos. A tentação do espetáculo pelo espetáculo é a tentação de muitos dos nossos contemporâneos. A fama é satisfação pessoal e passageira. A procura narcisista da fama não transforma a vida dos outros. A fama de uns poucos pode até inferiorizar muitos outros. Jesus afastou o espírito diabólico que o atormentava dizendo: “A Escritura diz: ‘Não tente o Senhor teu Deus”.

Hoje, muita gente passa por tentações bastante semelhantes às que jesus passou:

A 1ª é a tentação dos bens materiais. Hoje é chamada de consumismo. A pessoa nunca é satisfeita, sempre procurando novos prazeres e mais dinheiro. Os bens espirituais como o amor, a beleza, a estética, a música, os conhecimentos, as artes, as ciências têm muito mais valor do que os bens materiais. O homem não vive só de pão, mas de tudo que nutre sua mente, seu espírito. A tentação do prazer leva à satisfação do corpo, não do espírito.

A 2ª tentação em nosso tempo é ser muito importante através da ganância, o desejo de ficar poderoso acumulando dinheiro, orgulhando-se de ter muito mais do que os outros têm, desperdiçando, gastando à toa. É a tentação da soberba, por ter conquistado um lugar de superioridade pela posse, humilhando os pobres. A tentação de ser mais importante não pela cultura, mas pela riqueza e pelos privilégios de poder passar na frente dos outros.

A 3ª tentação na mentalidade pós-moderna é o aparecer, adorar ser bajulado(a), membro da sociedade dos famosos pelo menos por um dia. A pessoa narcisista passa o tempo olhando para si mesma. Ela mira-se no espelho o tempo todo, procurando ser sempre mais valorizada pela sua aparência. São três as tentações sociais: o prazer, o ter, o aparecer.

Estimados irmãos e irmãs em Cristo!

            Iniciamos a Quaresma na 4ª feira das Cinzas. São 40 dias entre a 4ª feira das Cinzas e a 4ª feira da Semana Santa. Hoje nós somos convidados a refletir sobre os instintos mais primitivos do ser humano. O Evangelho nos apresenta o chamado triângulo antropológico: o ter, o poder e o prazer. Que devem ser educados e iluminados pelo dom do Espirito.  A vida consagrada, por exemplo, fundamentada neste triângulo antropológico, dai nasce os votos de pobreza, obediência e castidade.

Na 1ª leitura de Deuteronômio 26,1-10, o povo de Deus proclama a sua fé. Aqui está o credo histórico de Israel. É uma espécie de Teologia da História. Narra-se a história de um povo que tem passado por uma intervenção amorosa de Deus.

Na 2ª leitura da Carta de Paulo aos Romanos (cf. 10,8-13) encontra-se a profissão de fé da comunidade cristã. Pois como diz: “É crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação”. Essa profissão de fé está centrada na pessoa de Jesus  Cristo.

No Evangelho de Lucas 4,1-13, Jesus está cheio do Espirito Santo. Isso aconteceu na experiência do seu batismo: “Enquanto Jesus orava o céu se abriu e desceu sobre ele o Espirito Santo” (Lc 3,32). Deus Pai revela a identidade de seu Filho: “Tu és o meu Filho amado!”. Então, Jesus se afasta das margens do rio Jordão caminhando deserto adentro. Ele repete a experiência de Moisés e do Povo de Deus no deserto. O povo cai, o povo trai, o povo murmura e o povo cede a idolatria.

Jesus fará uma experiência de nova entrada na terra prometida. Agora, a terra do Reino. Antes de começar seu ministério público Jesus é posto à prova. Ele, contudo, vence as tentações do diabo. O diabo é a figura que apresenta o grande projeto meramente mundano e oposto a Deus, que tenta afastar Jesus da fidelidade a Deus.  O diabo nos apresenta Jesus como um Messias triunfalista, que é poder e não serviço de entrega na cruz.

Jesus foi tentado a abandonar Deus e seguir um caminho meramente humano.  Como diz o papa Francisco: “Um caminho de auto referencial”, centrado em si mesmo, com desejo de riqueza, de poder e de fama.  Jesus diz “Não ao diabo e todas as suas propostas”.  A primeira tentação é a da fome. O Jejum que Jesus faz é idêntico ao jejum de Moisés (cf. Ex 34,22). São 40 dias e 40 noites. Jesus está frágil e abatido fisicamente, como um dia ele estará também assim na cruz. O diabo provoca Jesus: “Se és Filho de Deus, mande essa pedra mude em pão”.  Jesus responde: “O homem não vive somente de pão, mas de tudo o que sai da boca de Deus”. Jesus foi tentado a ser enriquecer e ser um Messias quebra-galho, que resolve todos os problemas imediatos da população. Alagando o tema. Encontramos aqui a relação do ser humano com a economia. O ser humano é tentado a um materialismo sem Deus e do desejo insano de lucro. Como diz o papa Francisco: “Como deve ser pobre alguém que só tem dinheiro para oferecer”.

A segunda tentação é a do poder politico. O diabo é o pai da mentira que pretende ser o senhor do mundo. Ele mente ao dizer: “Eu te darei todo este poder e toda a glória,  porque tudo foi entregue a mim. Eu dou a quem eu quiser”.  Mentira. O mundo é criatura de Deus. Nesta segunda tentação, nós somos obrigados a refletir sobre nossas relações entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre colega de trabalho, entre irmãos e vizinhos e entre as pessoas de nossas comunidades eclesiais. Nosso poder deve ser doação da vida. Nós devemos adorar e prestar culto somente a Deus. Será que nós fabricamos ídolos à nossa imagem e semelhança?

A terceira tentação é mais sutil. O diabo leva Jesus ao pináculo do templo. É ponto mais alto do simbolismo religioso de Israel. Desta vez, o diabo é teólogo. Ele provoca Jesus citando a Sagrada Escritura. É um diabo ardiloso e refinado. Ele cita o versículo 11 do salmo 91: “Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com respeito. Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”.  Jesus responde ao diabo de modo cortante e conclui a conversa: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. O diabo foi vencido por Jesus nessa batalha, mas ele voltará em outra ocasião. Certamente, o Evangelho de Lucas está se referindo que o diabo entrará em Judas para trair Jesus e leva-lo à cruz.

O Domingo: 3º Domingo do Advento

Leitura da Profecia de Sofonias 3,14-18a

Canta de alegria, cidade de Sião;
rejubila, povo de Israel!
Alegra-te e exulta de todo o coração,
cidade de Jerusalém!
O Senhor revogou a sentença contra ti,
afastou teus inimigos;
o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti,
nunca mais temerás o mal.
Naquele dia, se dirá a Jerusalém:
‘Não temas, Sião,
não te deixes levar pelo desânimo!
O Senhor, teu Deus, está no meio de ti,
o valente guerreiro que te salva;
ele exultará de alegria por ti,
movido por amor;
exultará por ti, entre louvores,
acomo nos dias de festa’.
Palavra do Senhor.

Salmo – Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R.6)

R. Exultai cantando alegres, habitantes de Sião
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!

Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo;*
o Senhor é minha força, meu louvor e salvação.
Com alegria bebereis no manancial da salvação. R.

e direis naquele dia: ‘Dai louvores ao Senhor,
invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas,*
entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime. R.

Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos,*
publicai em toda a terra suas grandes maravilhas!
Exultai cantando alegres, habitantes de Sião,*
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!’ R.

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 4,4-7

Irmãos:
Alegrai-vos sempre no Senhor;
eu repito, alegrai-vos.
Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens!
O Senhor está próximo!
Não vos inquieteis com coisa alguma,
mas apresentai as vossas necessidades a Deus,
em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças.
E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento,
guardará os vossos corações e pensamento
em Cristo Jesus.
Palavra do Senhor.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 3,10-18

Naquele tempo:
As multidões perguntavam a João: ‘Que devemos fazer?’
João respondia:
‘Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem;
e quem tiver comida, faça o mesmo!’
Foram também para o batismo cobradores de impostos,
e perguntaram a João:
‘Mestre, que devemos fazer?’
João respondeu:
‘Não cobreis mais do que foi estabelecido.’
Havia também soldados que perguntavam:
‘E nós, que devemos fazer?’
João respondia:
‘Não tomeis à força dinheiro de ninguém,
nem façais falsas acusações;
ficai satisfeitos com o vosso salário!’
O povo estava na expectativa
e todos se perguntavam no seu íntimo
se João não seria o Messias.
Por isso, João declarou a todos:
‘Eu vos batizo com água,
mas virá aquele que é mais forte do que eu.
Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas
sandálias.
Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
Ele virá com a pá na mão:
vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro;
mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga.’
E ainda de muitos outros modos,
João anunciava ao povo a Boa-Nova.
Palavra da Salvação.

Reflexão

Os líderes do povo de Israel fizeram um acordo com os chefes de povos pagãos. Por causa das infidelidades dos chefes judeus, Sofonias temia terrivelmente uma punição do Deus Javé, mas profeta descobre que Deus é infinitamente MISERICORDIOSO e que não irá puni-los. Deus ama seu povo apesar das suas infidelidades e vai tomar a iniciativa de uma reconciliação, pois o Todo-Poderoso é também o Todo-Amoroso. No fundo, Deus nos ama não porque somos bons, mas para que sejamos melhores. Sofonias eufórico grita:

“Pula de alegria, povo de Sião”

Rejubila, alegra-te e exulta de todo o coração!

Não tenha mais medo, pois o Senhor revogou a sentença contra ti.

Que ninguém se deixe levar pelo desânimo”!

Movido pelo amor, Deus salva seu povo e esquece o passado. Nós somos diferentes, pois lutamos pela justiça e não pelo perdão. Sabemos que não há paz sem justiça e quem transgrediu a lei deve ser punido. A punição é necessária para corrigir ou para indenizar os prejuízos sofridos pelo injustiçado. Punição deve ser correção, devolução, indenização, mais do que retaliação, pois ela não é uma conscientização para a conversão. Em geral, é difícil perdoar uma traição ou esquecer totalmente uma injustiça sofrida ou uma humilhação pública. Todavia, quem tem “coração de mãe” – como Deus o tem – quer corrigir sem ferir.

Deus é diferente de nós, pois seu amor é infinitamente misericordioso, sempre disposto a perdoar e capaz de fazer loucuras de tão apaixonado pela humanidade. Deus decidiu fazer-se um de nós deixando a sua situação confortável de vida com o Pai Eterno para entrar no tempo, isto é, numa situação igual à nossa; fez-se carne por amor, assumindo as consequências até a morte. Pela encarnação do Seu Filho Jesus, Deus experimentou tudo da vida humana, menos o pecado. Jesus não veio para condenar, mas para salvar o pecador arrependido. Dizia ele aos seus seguidores: “não há maior amor do que dar a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos”!

Hoje, lemos que o Precursor de Jesus, João Batista, nos incentiva à conversão e à correção. Jesus vem para nos perdoar se estivermos dispostos a mudar. Não há perdão sem conversa, sem o desejo de correção e de tomar as medidas necessárias para uma mudança de vida permanente e não de poucos dias para “fazer bonito” durante as festas natalinas. Para converter-se, que cada um de nós pergunte a João Batista: “O que é que eu devo fazer”? Ele já disse para os judeus que perguntavam: “Quem tem duas túnicas, dê uma para quem não tem”! Hoje, talvez diria: “Quem tem duas casas dê uma para quem vive na rua”. Aos saduceus de hoje ele diria: “Faça uma boa doação para um orfanato”.

Aos guardas e policiais, João está dizendo: “não usem de violência contra ninguém e nem façam acusações falsas”. Hoje, talvez ele diria aos que fazem do feriado natalino uma ocasião de orgias: “Respeitem a vida dos outros! Se tem bebido, não dirija”! Aos governantes corruptos e aos empresários desonestos: “Não recebam propinas, não soneguem impostos”! Em resumo, a todos que só pensam em si, façam caridade para desempregados conhecidos e ajudem as famílias numerosas!

João batizava nas águas do Rio Jordão. Era um batismo de conversão e não um batismo de salvação e de vida nova como o nosso, pois nosso Batismo é ministrado com uma água que jorra para a Vida Eterna e essa água da Vida Eterna veio através da Páscoa de Jesus Cristo. Nós, batizados na fonte batismal da Igreja, já recebemos o princípio da Vida Eterna.

Por enquanto, João está revolucionando o seu mundo e o nosso pregando duas atitudes fundamentais para a sua e a nossa renovação: o amor e a justiça. Praticando essas atitudes seremos convertidos e revolucionaremos o mundo, e vivendo-as plenamente sentiremos o que Sofonias sentiu, pulando de alegria com o coração em júbilo e exultando de amor e paz. Sejamos generosos nos carinhos e nos abraços, pois não custa nada, bem como na coleta para Evangelização deste mês, que pede tão pouco, mas faz uma diferença enorme no mundo!


 Pe. Lourenço, CSC

O Domingo: 2º Domingo do Advento

Leitura do Livro do Profeta Baruc 5,1-9

Despe ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição,
e reveste, para sempre, os adornos da glória
vinda de Deus.
Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e
põe na cabeça o diadema da glória do Eterno.
Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém,
a todos os que estão debaixo do céu.
Receberás de Deus este nome para sempre:
‘Paz-da-justiça e glória-da-piedade’.
Levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto
e olha para o Oriente!
Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo,
desde o poente até o levante,
jubilosos por Deus ter-se lembrado deles.
Saíram de ti, caminhando a pé,
levados pelos inimigos.
Deus os devolve a ti, conduzidos com honras,
como príncipes reais.
Deus ordenou que se abaixassem
todos os altos montes e as colinas eternas,
e se enchessem os vales, para aplainar a terra,
a fim de que Israel caminhe com segurança,
sob a glória de Deus.
As florestas e todas as árvores odoríferas,
darão sombra a Israel, por ordem de Deus.
Sim, Deus guiará Israel, com alegria,
à luz de sua glória, manifestando a misericórdia
e a justiça que dele procedem.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)

R. Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!

1Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,*
parecíamos sonhar;
2aencheu-se de sorriso nossa boca,*
2bnossos lábios, de canções.R.

2cEntre os gentios se dizia: ‘Maravilhas*
2dfez com eles o Senhor!’
3Sim, maravilhas fez conosco o Senhor,*
exultemos de alegria!R.

4Mudai a nossa sorte, ó Senhor,*
como torrentes no deserto.
5Os que lançam as sementes entre lágrimas,*
ceifarão com alegria.R.

6Chorando de tristeza sairão,*
espalhando suas sementes;
cantando de alegria voltarão,*
carregando os seus feixes!R.

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 1,4-6.8-11

Irmãos:
Sempre em todas as minhas orações
rezo por vós, com alegria,
por causa da vossa comunhão conosco
na divulgação do Evangelho,
desde o primeiro dia até agora.
Tenho a certeza de que
aquele que começou em vós uma boa obra,
há de levá-la à perfeição até ao dia de Cristo Jesus.
Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós,
com a ternura de Cristo Jesus.
E isto eu peço a Deus:
que o vosso amor cresça sempre mais,
em todo o conhecimento e experiência,
para discernirdes o que é o melhor.
E assim ficareis puros e sem defeito
para o dia de Cristo,
cheios do fruto da justiça
que nos vem por Jesus Cristo,
para a glória e o louvor de Deus.
Palavra do Senhor.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 3,1-6

No décimo quinto ano do império de Tibério César,
quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia,
Herodes administrava a Galiléia,
seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide,
e Lisânias a Abilene;
quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes,
foi então que a palavra de Deus
foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.
E ele percorreu toda a região do Jordão,
pregando um batismo de conversão
para o perdão dos pecados,
como está escrito
no Livro das palavras do profeta Isaías:
‘Esta é a voz daquele que grita no deserto:
‘preparai o caminho do Senhor,
endireitai suas veredas.
Todo vale será aterrado,
toda montanha e colina serão rebaixadas;
as passagens tortuosas ficarão retas
e os caminhos acidentados serão aplainados.
E todas as pessoas verão a salvação de Deus”.
Palavra da Salvação.

Reflexão

Exilado na Babilônia, o povo de Isarael sofreu muito. O povo ficou envergonhado, humilhado pela derrota. Muitos perderam a Fé na proteção de Javé e nas promessas de Deus. O povo Judeu foi obrigado a sair de sua terra para caminhar até a Babilônia, chorando e lamentando, e o exílio foi interpretado como uma punição pelos pecados do povo. Durante os 48 anos de banimento, nasceram duas gerações de judeus a mais de 1.000km de distância da terra de seus pais, sem ter nenhuma ideia do que era o Templo de Jerusalém.

Passados os 48 anos de exílio, os israelitas puderam voltar para sua terra de cabeça erguida, superando o vexame sofrido pela derrota do passado. “Jubilosos por Deus ter-se lembrado deles”; “Levanta-te, Jerusalém, teus filhos estão de volta”. Acabou a tristeza do exílio. O povo pode despir-se das vestes de luto e aflição e revestir-se com enfeites de glória, pois Javé lembrou-se de seu povo! Deus ordena uma verdadeira “terraplanagem” para que o povo caminhe com segurança rumo a uma nova Jerusalém que será erguida. Porém, essa terraplanagem é espiritual e moral.

João Batista, filho de Zacarias e Isabel, nascido seis semanas antes de Jesus, foi o percursor de Cristo. João pregou no Rio Jordão, anunciando a chegada de Jesus Messias e Cordeiro de Deus fazendo alusão a Isaías e a Baruc, sugerindo fazer o seguinte: “endireitar passagens tortuosas, caminhos esburacados, acidentados demais”. Para corrigir todas as imperfeições daquele caminho, será necessário fazer uma conversão interna pessoal e comunitária; a mais completa possível.

A conversão a nível pessoal, que Lucas resumiu num breve sumário aproveitando as profecias de Baruc e Isaías (Is40, 3-5), começa dizendo “Esta é a voz que grita no deserto: ‘preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo o homem verá a salvação de Deus” (Lc3, 4-6).

Como fazer para espiritualizar essa terraplanagem toda?

  • Rebaixar montanhas e colinas significa reconhecer nossa condição de pecadores, removendo o orgulho, a prepotência, a soberba e a ignorância;
  • Retirar pedras e perigos do caminho quer dizer levantar os ânimos pela esperança sem a ilusão do perigo do alcoolismo, uso de drogas, vício de celular e de outros vícios que dificultam um relacionamento pacífico pelo caminho da vida;
  • Aterrar vales e valetas, tampar buracos, preencher a carência de felicidade significa, no caminho da vida cristã, acabar com as desigualdades injustas e ensinar os direitos humanos. É preciso preencher a carência de felicidade, a falta de amor, de carinho, de entendimento, de oração, de diálogo, de sensibilidade e compreensão. Há muitos buracos para tampar afim de que ninguém deslize pelo caminho da vida;
  • Assegurar dignidade ao povo, quer dizer achar trabalho para todos; animar as comunidades; acelerar a marcha da economia; apreciar e respeitar a natureza; ser mais ecológico; achar o pão para os famintos; abrir mais escolas para educar as crianças pobres;
  • Endireitar passagens tortuosas e curvas perigosas, que significa que é preciso parar de usar palavras agressivas para difamar e enganar; corrigir informações desencontradas; corrigir Fake News; pôr boas sinalizações; corrigir os jovens sem os ferir; acabar com preconceitos raciais e étnicos; achar solução para os desníveis de escolaridade, pois tudo isso dificulta a caminhada comum;
  • Evitar acidentes pelo caminho da vida, ou seja, proteger-se! No contexto atual, podemos inserir a necessidade de vacinar-se contra a COVID-19 e suas variantes; obedecer sinalizações de trânsito; respeitar as leis para que todos possam caminhar com segurança para que, no fim da caminhada, uma nova Jerusalém seja erguida para a felicidade de um povo unido na paz desejada por todos e para todos.

Uma vez todos convertidos, poderemos esperar a volta do Senhor Jesus em nossos lares e comunidades na Paz e Alegria verdadeiras. Nossa fé fundamentada não em mitos ou dizeres, mas numa pessoa histórica: o Cristo Jesus cuja vida se enquadrou numa época bem conhecida, durante o Império Romano, no povo judeu, o melhor preparado!


 Pe. Lourenço, CSC

 

O Domingo: 1º Domingo do Advento

Leitura do Livro do Profeta Isaías 60, 1-6

‘Eis que virão dias, diz o Senhor,
em que farei cumprir a promessa de bens futuros
para a casa de Israel e para a casa de Judá.
Naqueles dias, naquele tempo,
farei brotar de Davi a semente da justiça,
que fará valer a lei e a justiça na terra.
Naqueles dias, Judá será salvo
e Jerusalém terá uma população confiante;
este é o nome que servirá para designá-la:
‘O Senhor é a nossa Justiça’.’
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 24,4bc-5ab.8-9.1014 (R.1b)

R. Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!

4Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,*
e fazei-me conhecer a vossa estrada!
5Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação! R.

😯 Senhor é piedade e retidão,*
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
9Ele dirige os humildes na justiça,*
e aos pobres ele ensina o seu caminho. R.

10Verdade e amor são os caminhos do Senhor*
para quem guarda sua Aliança e seus preceitos.
14O Senhor se torna íntimo aos que o temem
e lhes dá a conhecer sua Aliança. R.

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 3,12-4,2

Irmãos:
Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com
todos aumente e transborde sempre mais,
a exemplo do amor que temos por vós.
Que assim ele confirme os vossos corações
numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso
Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus,
com todos os seus santos.
Enfim, meus irmãos, eis o que vos pedimos
e exortamos no Senhor Jesus:
Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a
Deus, e já estais vivendo assim.
Fazei progressos ainda maiores!
Conheceis, de fato, as instruções
que temos dado em nome do Senhor Jesus.
Palavra do Senhor

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 21,25-28.34-36

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos:
Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas.
Na terra, as nações ficaróo angustiadas,
com pavor do barulho do mar e das ondas.
Os homens vão desmaiar de medo,
só em pensar no que vai acontecer ao mundo,
porque as forças do céu serão abaladas.
Então eles verão o Filho do Homem,
vindo numa nuvem com grande poder e glória.
Quando estas coisas começarem a acontecer,
levantai-vos e erguei a cabeça,
porque a vossa libertação está próxima.
Tomai cuidado para que vossos corações
não fiquem insensíveis por causa da gula,
da embriaguez e das preocupações da vida,
e esse dia não caia de repente sobre vós;
pois esse dia cairá como uma armadilha
sobre todos os habitantes de toda a terra.
Portanto, ficai atentos e orai a todo momento,
a fim de terdes força
para escapar de tudo o que deve acontecer
e para ficardes em pé diante do Filho do Homem.
Palavra da Salvação.

Reflexão

Deus, por meio do profeta Jeremias anuncia a aquisição de uma semente muito especial para o crescimento da humanidade, e o nome que servirá para designá-la é muito bonito! A semente vem de Deus e seu nome é “O Senhor é nossa justiça”. Esta semente, uma vez plantada, fará brotar justiça e paz. Pelo Salmo desta liturgia, pedimos a Deus que nos conduza no caminho da retidão, pois andamos em estradas tortuosas. Ele nos conduzirá pelo caminho da Verdade, Justiça e amor para que não andemos mais na contramão da salvação.

O tempo do Advento tem uma dimensão passada e outra futura, além disso, podemos compreendê-lo ainda em dois sentidos. O primeiro é de que é um tempo para se comemorar e contemplar a chegada de Jesus Salvador desde seu Natal e depois reviver a adoração dos magos, a fuga da Sagrada Família para o Egito e, finalmente, o retorno de Maria à Nazaré com José e o menino Jesus de quatro anos de idade. Trata-se do início da vida histórica de Jesus.

No segundo sentido, o advento também é tempo de contemplação da dimensão celeste, isto é, de alimentar a esperança da volta gloriosa do Senhor no final dos tempos, segundo a Sua promessa antes de partir do nosso mundo. No final dos tempos, Jesus virá na sua Glória: “Os homens verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória”. Jesus usando a expressão “Filho do Homem” faz referência ao profeta Daniel, lido na liturgia de Cristo Rei: “o Seu poder é um poder eterno e seu Reino nunca acabará”. Quando Ele chegar, é para as pessoas ficarem em pé, em postura de atenção!

Antes da sua chegada, poderão acontecer coisas apavorantes no céu, na terra, no mar e entre as nações. Todavia, haverá um final feliz para todos os que acreditam na verdade e na justiça e para todos os semeadores do amor, pois o Projeto de Deus não pode fracassar. A realização do Reino de Deus acontecerá custe o que custar! Quanto aos violentos, mentirosos, falsos, desonestos, aproveitadores e acomodados, para eles a vinda de Jesus glorioso será o fracasso, pois eles estão na contramão.

Jesus fala: “Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima!” (Lc21, 28). Que tipo de libertação é essa? Hoje em dia, precisamos ser livres do quê? Dos vícios, maus hábitos e todo tipo de dependência; das más inclinações, como gula, mentira, fofoca; do medo, pessimismo e falta de sensibilidade; do individualismo, egoísmo e dureza de coração; da inveja e do ciúme, da vingança, violência e matança; do racismo e do ódio; das injustiças, desonestidades; mentiras e das “Fake News”; das desigualdades, preconceitos e autoritarismos. É como Jesus disse: “Tomais cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis” (Lc21, 35). Os insensíveis não se importam com a sorte dos outros!

O Advento é tempo de faxina e conversão, tempo de oração e da leitura orante da Bíblia; de carinho especial para crianças e idosos, para reconciliação com familiares e vizinhos; tempo de caridade, de ajuda aos pobres e gestantes sem amparo.

Portanto, “Vigiem, rezando em todo momento, a fim de terem forças para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficar de pé diante do Filho do Homem” (Lc21, 36). A novena de Natal sempre opera na vida das pessoas uma transformação nos corações. A novena de Natal é como se fosse um “amaciante” para corações rebeldes e duros, é uma boa dose de remédio para pessoas solitárias e que estão de mal com a vida. A novena de Natal leva sempre para gestos concretos de amor e paz. Que o Advento seja a ocasião de uma boa faxina para muitos e de alegria para todos!


 Pe. Lourenço, CSC

 

O Domingo: Cristo Rei

Leitura da Profecia de Daniel (Dn 7,13-14)

“Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença.

Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam; seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”.

Salmo – Sl 92, 1ab.1c-2.5 (R.1a)

R. Deus é Rei e se vestiu de majestade,
R.glória ao Senhor!

1aDeus é Rei e se vestiu de majestade,*
1brevestiu-se de poder e de esplendor!R.

1cVós firmastes o universo inabalável,
2vós firmastes vosso trono desde a origem,*
desde sempre, ó Senhor, vós existis!R.

5Verdadeiros são os vossos testemunhos,
refulge a santidade em vossa casa,*
pelos séculos dos séculos, Senhor!R.

Leitura do Livro do Apocalipse (Ap 1,5-8)

Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra. A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade. Amém.

Olhai! Ele vem com as nuvens, e todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele. Sim. Amém!

“Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”.

Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 18,33b-37)

Naquele tempo, Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?”

Pilatos falou: “Por acaso sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”

Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?”

Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

Reflexão

Jesus, ao falar de si, costuma utilizar a expressão “Filho do Homem” em referência à visão do profeta Daniel. Os sacerdotes judeus interpretavam que aquele ser misterioso visto por Daniel entre as nuvens do céu era um rei, cujo poder, um dia, dominaria toda a humanidade. Esse rei teria uma soberania universal por ser o Messias anunciado pelos profetas – Messias que em grego quer dizer “Khristós”, ou seja, o ungido. Para ser rei, o escolhido precisava ser crismado. Jesus é para nós o “Khristós”, nosso Rei, o Ungido de Deus.

Jesus falou muito do seu Reino, mas de forma velada e frequentemente por meio de parábolas, isto é, de comparações. Já dizia em Marcos: “Devo anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus porque é para isso que eu fui enviado” (Mc1, 38). Falando assim, Jesus tinha que tomar muita precaução para não ser acusado de querer usurpar o poder romano fazendo-se rei, pois Ele teria sido perseguido pelos soldados do Império que ocupavam Jerusalém.

Dominado pelo Império, o povo, lendo as profecias, vivia na esperança de poder ver reinar o verdadeiro Deus-Javé, como no tempo do famoso rei Davi. A expectativa dos apóstolos de Jesus era de ver seu mestre tomar posse um dia, ungido pelo Espírito Santo para ser um “Khristós” universal. É bom lembrar o que aconteceu na sinagoga de Nazaré, quando Jesus leu um trecho do profeta Isaías que dizia: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor. E, enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Ele começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir’ (Lc 4, 18-21, referindo-se a Is61, 1-2)”.

Jesus, depois de ter falado do seu reino durante três anos, entrou pela última vez na cidade de Jerusalém e foi aclamado rei pelo povo. Para seus apóstolos a fama de Jesus que eles esperavam tinha chegado. Só faltava Jesus ser ungido e tomar posse, porém aquela esperança durou pouco. Na quinta feira daquela semana, Jesus fez um discurso de despedida no jantar da Páscoa. Depois, foi preso no Jardim das Oliveiras e compareceu diante do tribunal religioso do Sinédrio. Na madrugada do dia seguinte, Jesus foi levado para comparecer diante do governador Pilatos e foi condenado à morte. Por quê? Pilatos tinha perguntado: “Tu és o Rei do Judeus?”, ao que Jesus respondeu: “Você diz isso por si mesmo, ou foram os outros que lhe disseram isso a meu respeito? O meu Reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos teriam lutador para eu não ser entregue aos judeus. Mas agora meu reino não é daqui.”, Pilatos disse: “Então tu és rei?”. Jesus respondeu: “Você está dizendo: eu sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade, ouve a minha voz” (Jo18, 33b-37).

Jesus pregava um Reino Universal feito de valores interiorizados numa humanidade reformada, isto é, reciclada pelos valores do Amor e da Liberdade, Justiça e Paz, Esperança na Alegria; o Reino da Verdade, Fraternidade, Solidariedade e Eterno como na visão do profeta Daniel que lemos nesta liturgia.

A liturgia nos fala muito do Reino. Por exemplo, no Creio rezamos: “E de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim No Pai Nosso: “Venha a nós o Vosso reino”. No prefácio da Missa rezamos com as palavras: “Reino de verdade e vida, de santidade e graça, de justiça, amor e paz”. O reino de Deus está à serviço da verdade, justiça, fraternidade, convivência e da libertação integral do homem.

O Reino cuja verdade Pilatos não quis saber na manhã em que Jesus compareceu diante dele, nós vamos vive-lo de novo a partir do Advento que se aproxima. O Reino de Deus não é deste mundo de seleção e de exclusão. Enquanto os poderosos traem, vendem-se, oprimem, machucam, corrompem-se, mentem, invejam, vingam-se, odeiam e matam, Jesus vem sempre para salvar e perdoar, não para desagravar Seu Pai, condenando a humanidade. O Pai não precisa de desagravo. O Filho de Deus encarnou plenamente o amor gratuito do seu Pai.

Na visão apocalítica de São João, Jesus é o Filho do Homem corando a História da Humanidade (Ap1, 5-8). O Alfa e o Ômega.


 Pe. Lourenço, CSC

 

O Domingo: 33º Domingo Do Tempo Comum

Leitura da Profecia de Daniel 12,1-3

“Naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, defensor dos filhos de teu povo; e será um tempo de angústia, como nunca houve até então, desde que começaram a existir nações. Mas, nesse tempo, teu povo será salvo, todos os que se acharem inscritos no Livro.

Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno.

Mas os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude brilharão como as estrelas, por toda a eternidade.

Salmo – Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

5Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,*
meu destino está seguro em vossas mãos!
8Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,*
pois se o tenho a meu lado não vacilo.R.

9Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,*
e até meu corpo no repouso está tranqüilo;
10pois não haveis de me deixar entregue à morte,*
nem vosso amigo conhecer a corrupção.R.

11Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto a vós, felicidade sem limites,*
delícia eterna e alegria ao vosso lado!R.

Leitura da Carta aos Hebreus 10,11-14.18

Todo sacerdote se apresenta diariamente para celebrar o culto, oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, incapazes de apagar os pecados. Cristo, ao contrário, depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus. Não lhe resta mais senão esperar até que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés.

De fato, com esta única oferenda, levou à perfeição definitiva os que ele santifica. Ora, onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado.

Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos (Mc 13,24-32)

Naquele tempo:
Jesus disse a seus discípulos: Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas. Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra. Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas.
Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai.

Reflexão

O profeta Daniel fala do fim dos tempos. Este fim pode ser interpretado de várias maneiras, como a destruição da humanidade por uma pandemia venenosa ou então um cataclismo destruidor dos vivos vertebrados. Ninguém sabe. Há milhões de anos atrás, muitos seres vivos como os dinossauros que dominavam nosso planeta foram extintos, porém a Terra permaneceu e uma nova evolução de seres vivos surgiu até o aparecimento do ser humano. Hoje em dia a humanidade é quem “gerencia” o planeta. Recordemos a fala do profeta que, no fim do mundo, “os que tiverem sido sábios, brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude, brilharão como as estrelas, por toda a eternidade”. Portanto, devemos estar atentos para os que vierem depois de nós. É isso que importa, pois não sabemos nem o dia e nem a hora!

No ano 70 da era cristã, cerca de 40 anos depois da Ressureição de Jesus, a cidade de Jerusalém foi tomada pelos Romanos e destruída. Muitos cidadãos da cidade pensavam que era o fim dos tempos anunciado por Jesus, mas tratava-se apenas de uma “amostragem”. Muitos foram mortos, porém o evento era apenas a virada de uma página da história.

Daqueles que perderam a vida, algumas foram jogados como pessoas descartáveis por conta de seus pecados. Outras pessoas, as que pertenciam ao Reino de Deus, foram “recicladas” por Jesus e, perdoadas dos seus pecados, começaram a brilhar na eternidade divina. Todos esses que foram salvos são os que fazem parte da Liturgia da festa de TODOS OS SANTOS.

A verdade é que, de tudo o que existe, nada vai ficar para sempre. Uma flor dura alguns dias. Uma árvore chega até 100 anos. Muitas coisas que fabricamos também duram pouco: televisores, celulares, carros etc., tudo isso envelhece e depois é descartado. Há monumentos que resistem ao tempo durante milhares de anos. Hoje o “Paradise[1]” da Califórnia está se acabando. Catedrais foram destruídas por tempestades, terremotos e guerras. Barragens romperam inundando cidades matando muita gente. Tudo é efêmero e todos nós somos mortais. O nosso último dia de vida será para cada um de nós o nosso fim do mundo.

Lembremos de novo o profeta Daniel: “os que tiverem sido sábios brilharão como também os que tiverem ensinado a muitas pessoas os caminhos da virtude, também brilharão por toda a eternidade”. Foi apenas uma comparação que o profeta fez porque algumas estrelas já explodiram desaparecendo. A filosofia ensina que o que é espiritual pode durar para sempre. Uma fórmula matemática é algo quase espiritualizado, não vista e nem escrita, só falada.  Portanto, ela pode ser guardada para sempre. O nosso código genético pode ser guardado durante séculos. Hoje podemos conhecer o DNA dos restos mortais de uma pessoa e assim identificá-la.

Jesus nos prometeu Vida Eterna e não apenas imortalidade. Penso ainda que Jesus veio para fazer passar os homens e as mulheres da condição de seres “descartáveis” para “recicláveis”. A nossa reciclagem já começa neste mundo. Pela graça de Jesus Cristo somos seres em processo de reciclagem e, no final da nossa vida terrena, poderemos ser reciclados pela ressurreição e viver eternamente felizes. Há uma condição: para passar da morte para a vida eterna precisamos estar em estado de graça e de coração aberto à misericórdia de Deus. Só assim seremos SALVOS.

Lembremos ainda da carta aos Hebreus desta liturgia em que lemos: “Onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado”. É que o perdão de Jesus é definitivo. Deus deleta, isto é, apaga as ofensas perdoadas e não as lembra mais. A Palavra de Deus vale para sempre! Como é dito por Jesus no evangelho deste domingo: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.

Pensar assim, eu não acho impossível.


[1] Paradise é uma vila localizada no estado norte-americano da Califórnia, no condado de Butte. Foi incorporada em 27 de novembro de 1979.

Grande parte de Paradise foi destruída pelo fogo em 8 de novembro de 2018, depois que foi atingida por um incêndio florestal, deixando ao menos 63 mortos e destruindo 7.177 construções, das quais 6.453 eram residências.


 Pe. Lourenço, CSC

 

O Domingo: Todos os Santos

 

Leitura do Livro do Apocalipse de São João 7,2-4.9-14

Eu, João, vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: “Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”.

Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.

Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”.

Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?”

Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”.

E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.

Salmo – Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

R. É assim a geração dos que procuram o Senhor!

1Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, *
o mundo inteiro com os seres que o povoam;
2porque ele a tornou firme sobre os mares, *
e sobre as águas a mantém inabalável. R.

3″Quem subirá até o monte do Senhor, *
quem ficará em sua santa habitação?”
4a”Quem tem mãos puras e inocente coração, *
4bquem não dirige sua mente para o crime. R.

5Sobre este desce a bênção do Senhor *
e a recompensa de seu Deus e Salvador”.
6″É assim a geração dos que o procuram, *
e do Deus de Israel buscam a face”. R.

Leitura da Primeira Carta de São João 3,1-3

Caríssimos: Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai.

Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.

Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus (Mt 5,1-12a)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Reflexão

Os santos são inumeráveis: São João fala em 144 mil. Este número para os judeus significava uma infinidade de gente. Eles contavam assim: 12 é um número perfeito. Já o múltiplo de 12 dá 144, que multiplicado por mil dá uma multidão que não dá mais para contar. Os santos na visão de São João estavam glorificando a Deus dizendo: “O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre”. Por que? Simplesmente porque toda aquela gente virou santo. Isto é, foi santificada graças a salvação em Jesus Cristo. Quem faz alguém santo é Deus pela Graça de Jesus Cristo!

Léon Bloy, um autor francês, escreveu: “há uma só tristeza no mundo, a de não ser santo”. O que é a santidade senão ação de Deus; uma Graça de Deus. É somente Ele quem santifica as pessoas pela graça santificante, a Vida nova merecida por Cristo para nós. Isso quer dizer que a santidade é uma herança recebida de Jesus Cristo, riqueza que ele conquistou para nós. São Paulo, na sua carta aos romanos, fala dessa riqueza nestes termos: “se somos filhos de Deus, somos também herdeiros – herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm8, 17).

Portanto, para ser santo é preciso deixar Deus agir em nós! Quando a gente deixa mais chance para Deus agir através da gente, não podemos errar. Ao contrário, quando alguém se vangloria de ter feito uma coisa muito boa, Deus não tem vez para santificar aquela pessoa porque o orgulho não é compatível com a santidade.

O povo procura um santo forte, mas para quê? O que quer dizer um “santo forte”? Seria um exemplo de vida ou um distribuidor de favores? A verdade é que nenhum santo faz milagre, bem como nenhum santo é capaz de salvar como Jesus salva! É sempre Deus quem faz os milagres através dos santos, que são seus instrumentos e nossos intercessores. Um santo ou uma santa é uma ferramenta muito delicada que Deus utiliza para intervir na vida de quem pede ajuda. A “tecnologia de Deus” é servir-se dos santos que intercedem perto de Deus Pai para nosso bem. Portanto, ser santo é ter o ardente desejo de fazer o bem no mundo e de construir uma sociedade de amor, felicidade e justiça, isto é, colaborar na construção do Reino. A primeira condição para conseguir isso é romper com o próprio egoísmo da gente, buscando sempre a felicidade dos outros antes da realização de si próprio. É preciso renunciar ao orgulho e a cobiça para então, a partir daí, escolher a melhor receita ensinada e vivida por Jesus: as Bem-aventuranças narradas por São Mateus na liturgia deste domingo. Recordemos:

  • Bem-aventurados os pobres em espírito, isto é, as pessoas desapegadas das coisas materiais, que valorizam os assuntos espirituais. O pobre em espírito pode ser pobre mesmo ou ainda ter riquezas, mas sem agarrar-se a elas. Pode também existir no meio dos pobres aquele materialista desejando tornar-se um ricaço. Esse está longe da santidade.
  • Felizes os aflitos. Mas como? Os aflitos, no caso, são as pessoas compassivas, capazes de chorar, muito sensíveis à dor dos que sofrem perseguição ou injúria. A compaixão as torna solitárias.
  • Bem-aventurados os mansos. Ser manso diante de um mundo de tanta violência é ser santo mesmo sem desejo de vingar-se, evitando dar um soco em troca de uma ofensa.
  • Bem-aventurados aqueles que tem fome e sede de justiça num mundo de corrupção, roubo, desigualdade, fura-filas, entre outros…
  • Bem-aventurados os misericordiosos, isto é, gente capaz de perdoar a pessoa arrependida sem exigir punição.
  • Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. São pessoas sinceras, autênticas, transparentes, que não têm nada para esconder e sem falsidade alguma. Como é difícil encontrar pessoas verdadeiras, sem nenhuma hipocrisia.
  • Bem-aventurados os pacíficos e construtores da paz, pois serão chamados filhos de Deus.

A Igreja celebra a festa de todos os santos, mas todos nós somos chamados a sermos santos. A Igreja quer lembrar, de modo especial, os homens e mulheres que deixaram seu exemplo e testemunho como ‘modelo’ a ser imitado para a felicidade. Muitos santos tinham defeitos, como nós também temos, mas lutaram contra os excessos, buscando a conversão. Segundo São João da Cruz, santo triste é um tristesanto. Santa Dulce dos Pobres é um excelente exemplo de alegre santa. Santa Dulce dos Pobres, rogai por nós!


 Pe. Lourenço, CSC

 

O Domingo: 30º Domingo Do Tempo Comum

Leitura do Livro do Profeta Jeremias 31,7-9

Isto diz o Senhor: “Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel’.

Eis que eu os trarei do país do Norte e os reunirei desde as extremidades da terra; entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes: são uma grande multidão os que retornam.

Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces; eu os conduzirei por torrentes d’água, por um caminho reto onde não tropeçarão, pois tornei-me um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito”.

Salmo – Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)

R. Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!

1Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,*
parecíamos sonhar;
2aencheu-se de sorriso nossa boca,*
2bnossos lábios, de canções.R.

2cEntre os gentios se dizia: ‘Maravilhas*
2dfez com eles o Senhor!’
3Sim, maravilhas fez conosco o Senhor,*
exultemos de alegria!R.

4Mudai a nossa sorte, ó Senhor,*
como torrentes no deserto.
5Os que lançam as sementes entre lágrimas,*
ceifarão com alegria.R.

6Chorando de tristeza sairão,*
espalhando suas sementes;
cantando de alegria voltarão,*
carregando os seus feixes!R.

Leitura da Carta aos Hebreus 5,1-6

Todo sumo sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.

Sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo, quanto pelos seus próprios.

Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão.

Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo sacerdote, mas foi aquele que lhe disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”. Como diz em outra passagem: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 10,46-52

Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”

Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!”

O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

Reflexão

Todos nós estamos a caminho. Neste sentido a vida é uma peregrinaçâo. Para não tropeçar pelo caminho, precisamos enxergar. Jeremias anuncia o retorno do povo exilado na babilônia, agora de volta para  sua  terra.  Deus  se  encarrega  de  conduzir  o  povo,  todas  as  pessoas  sem  exceção: mulheres grávidas, pessoas aleijadas e cegos. Todos serão guiados, pois o caminho de Deus é reto. Quem tem fé anda na retidão. Quem se deixa conduzir por Deus  não vai tropeçar. Nesta leitura o tema já está sendo anunciado: para não deslizar na vida precisamos confiar em Deus.

Lendo o Evangelho de hoje encontramos Bartimeu, um cego à beira do caminho pedindo esmola. Ele não é capaz de andar sozinho. Precisa de alguém para conduzi-lo e vive de esmolas. Naquele dia, Bartimeu estava sentado e ouviu dizer que Jesus, o nazareno, estava passando. Sem enxergar ele acreditou que era verdade e começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”. Alguns queriam que calasse a boca, mas ele gritava com mais força. Jesus parou e pediu para que as pessoas o chamassem. Sendo um morador de rua, ele só tinha um manto como abrigo. Quando soube que Jesus o chamava largou seu manto e deu um pulo na direção da voz de Jesus. Então, o Mestre lhe perguntou: “O que você quer que eu te faça?”, ao que ele respondeu: “Mestre, que eu veja!”. Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a visão e seguiu Jesus pelo caminho.

Bartimeu, por ser morador de rua, Jesus não podia lhe dizer “agora volte para casa”. Mas quando Bartimeu viu Jesus, ele ficou conquistado e abandonou não só seu manto, mas toda a sua existência passada. No tempo da sua cegueira, seu manto era seu abrigo, sua casa, sua proteção e seu companheiro. Agora que está vendo Jesus, Bartimeu se esquece de tudo, deixa tudo para trás. Seu protetor e sua segurança agora estão em Jesus. Ele não pode ficar longe de Jesus, seu Salvador. De lá para frente ele está seguro, está salvo e decide ser discípulo do seu salvador.

Para poder seguir Jesus é preciso encontrá-lo primeiro. lsso vale para nós.

Este episódio de um morador de rua ter encontrado Jesus chama nossa atenção. Ninguém jamais viu a Deus. Mas Jesus foi visto por muitos judeus e não judeus do seu tempo. Muitos acreditaram n’Ele, outros não. Para encontrar Jesus e segui-lo não é preciso vê-lo primeiro. Pela fé, cada um de nós encontra Jesus sem o ter visto. Como? As pessoas  podem  ter  conhecido  Jesus  de  vários ângulos. Ver Jesus como um guru, mestre, taumaturgo, curandeiro… Bartimeu viu Jesus como um salvador. Hoje, nós podemos ver Jesus através do amor, da caridade e da confiança manifestada por membros da Igreja de Jesus Cristo. Os verdadeiros seguidores de Jesus inspiram confiança e nos ajudam a ver Jesus através deles. Vai depender do nosso ponto de vista.

Usamos e abusamos do verbo ‘ver’ sem às vezes enxergar o sentido da nossa própria vida. O mundo, as coisas, as pessoas têm caracteristicas diferentes conforme o nosso ponto de vista. Cada pessoa tem seu ponto de vista, isto é, o ângulo por onde a pessoa está posta: ver de frente, de Iado, de cima para baixo, de baixo para cima, de perto, de longe etc.

Alguém vê a partir dos seus próprios interesses, outro a partir das necessidades dos  pobres, outro a partir da sua classe social. A luz da sua fé faz enxergar muita coisa. Este Bartimeu é o retrato de todos os mendigos e cegos do mundo. Ele é também nosso retrato porque todos nós temos dificuldade para enxergar a nós mesmos. Não podemos ficar acomodados em nossa cegueira. Depois, procurar conhecer as pessoas santas que encontraram Jesus, como Santo Agostinho que O encontrou graças as orações da sua mãe, Mônica. O processo é ver Jesus através do testemunho de pessoas santas. Uma vez encontrado, é fácil segui-Lo. E se você O encontrou mesmo, aproveite neste mês das missões para ajudar alguém que está precisando d’EIe e que ainda não O encontrou ou que O perdeu de vista durante  a pandemia. Essa pode ser sua missão neste mês de outubro, não?


 Pe. Lourenço, CSC