Artigo (3/4): 1 ano de Fratelli Tutti, por Rivaldo Oliveira

III – A Comunidade Mundial no acolhimento ao imigrante

Continuação da nossa série de artigos sobre a Carta Encíclica Fratelli Tutti (veja a última edição clicando aqui):

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Em vários países subdesenvolvidos falta trabalho estável e condições dignas de sobrevivência para homens e mulheres, imagens e semelhança do próprio Deus. Ademais, lhes faltam alimento, remédio, moradia e terra para cultivo. Neste sentido o Santo Padre Francisco adverte que:

Muitas vezes, constata-se que, de fato, os diretos humanos não são iguais para todos. O respeito a esses diretos ‘é condição preliminar para o próprio progresso econômico e social de um país. […]. Mas, observando com atenção aas nossas sociedades contemporâneas, nos deparamos com numerosas contradições que nos induzem a perguntar se realmente a igual dignidade de todos os seres humanos (FT 22). 

A economia mundial avança com suas leis excludentes do mercado monetário. O progresso, o desenvolvimento e a riqueza se encontram nas mãos de poucos. Pouquíssimos têm acesso a esta prosperidade que o mercado financeiro proporciona enquanto a maior parte da população mundial padece faltando-lhes o essencial para sobreviver, os recursos básicos que lhes garantem uma vida digna. Posto isto, o Vigário de Cristo nos diz em sua mais recente Encíclica que:

É verdade que uma tragédia global como à pandemia da Covid-19 despertou, por algum tempo, a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, em que o mal de um prejudica a todos. Recordamo-nos de que ninguém se salva sozinho, de que só é possível salvar-se juntos. ‘Tempestade – dizia eu – desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades (FT 32).

Outra temática significativa para o Santo Padre e que ele novamente lança luz sobre esta ótica na Fratelli Tutti é o tema das migrações em massas e as consequências da falta de políticas de acolhimento aos migrantes. Vivemos em uma guerra pandêmica da migração sem limites. Milhares de homens e mulheres deixam os países de origem e a sua pátria natal para tentar a vida em outro país, fugindo da fome, da guerra e de outras problemáticas sociais que assolam os seus lares.

Infelizmente, muitos destes nossos irmãos não são aceitos nos países em que almejam a construção de um novo capítulo de suas vidas. Estes países, mesmo vivenciando o apogeu de grandes desenvolvimentos econômicos, criam barreiras de impedimentos para que migrantes e estrangeiros não sejam acolhidos e aceitos em seu território. Percebemos com isto uma grande incongruência: se por um lado desenvolveram-se financeiramente, por outro falta-se desenvolver humanamente para acolher o outro; o necessitado; o estrangeiro. Acerca disto o Bispo de Roma destaca que:

Tanto na propaganda de alguns regimes políticos populistas como na leitura de abordagens econômico-liberais, defende-se que é preciso evitar, a todo custo, a chegada de pessoas migrantes. Simultaneamente, argumenta-se que convém limitar a ajuda aos países pobres, para que cheguem ao ‘fundo do poço’ e decidam adotar medidas de austeridade. Não se dão conta de que, por trás dessas afirmações abstratas e difíceis de sustentar, há muitas vidas dilaceradas. Muitos fogem da guerra, de perseguições, de catástrofes naturais (FT 37).  

Bibliografia: FRANCISCO, PAPA. Carta encíclica Fratelli tutti. Sobre a fraternidade e a amizade social (FT). Roma: Librería Editrice Vaticana, 2020.


Rivaldo Oliveira, CSC

Comunicação

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